Para representante da ONU, fim da violência sexual na Colômbia requer investimento em comunidades

Mulheres chocoanas no Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra a Mulher. Foto: UNIC Rio/Mariana Nissen

A representante especial do secretário-geral das Nações Unidas sobre a violência sexual, Zainab Hawa Bangura, sintetizou nesta quarta-feira (04) iniciativas para combater a violência sexual relacionada ao conflito na Colômbia, incluindo a adoção do que ela chamou de “legislação inovadora” para garantir o acesso à justiça para as vítimas de violência sexual. Para ela, o principal desafio agora é traduzir determinação em soluções tangíveis em comunidades onde o crime continua a ocorrer.

Em reuniões com o ministro da Defesa e chefe do Estado-Maior do Exército, Bangura prometeu a continuidade da colaboração das Nações Unidas com o exército e a polícia para garantir a implementação de políticas para erradicar a violência sexual. No entanto, alertou que para pôr fim à impunidade deve existir a vontade de julgar esses crimes e romper barreiras que permitam as vítimas denunciarem estas violações.

Durante sua visita de quatro dias, ela conversou com mulheres e meninas que transmitiram uma mensagem em comum “que os crimes de violência sexual que foram praticados contra elas sejam reconhecidos por todas as partes envolvidas no conflito, e que os praticantes garantam que a violência sexual não será repetida”, disse.

Em sua visita a Chocó, uma região pobre do país, conhecida pela sua população afro-colombiana, ela se angustiou com os relatos de vínculos claros entre os grupos armados, a mineração ilegal, o narcotráfico e violência sexual. A violência sexual que ocorre no Chocó deve ser analisada dentro contexto do conflito e é vital que os processos de desenvolvimento e redução de pobreza incluam estas mulheres de forma a recuperar suas dignidades, dar oportunidades de empreendedorismo e meios de vida, adicionou.

Segundo a representante, o processo de paz que acontece neste momento em Havana, Cuba, colocou em prática um mecanismo importante para garantir a perspectiva de gênero, mas, para dar resultados o governo e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) que participam do diálogo em curso a garantia que o eventual acordo aborde explicitamente questões de gênero e violência sexual no conflito.

Bangura também relatou casos de prostituição, de meninas tão novas como 12 anos, em áreas de mineração, que são substituídas por “novos pacotes” quando são “muito usadas” ou “muito doentes”. E chamou atenção para a “questão silenciosa” de filhos nascidos de estupros nos cerca de 50 anos de conflito.