Para ONU, América Latina deve se manter fiel à tradição de solidariedade a refugiados e migrantes

Diante dos atuais desafios humanitários e políticos, a América Latina deve continuar sendo fiel à sua tradição de solidariedade, afirmou no sábado (26) o representante especial conjunto da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) e Organização Internacional para as Migrações (OIM) para refugiados e migrantes venezuelanos, Eduardo Stein.

“O racismo, a misoginia e a xenofobia não têm lugar em nossos países e devem ser condenados com firmeza. Os dirigentes políticos e formadores de opinião devem apelar em seus pronunciamentos a paz, justiça, calma e comedimento, condenando as atitudes e ações xenófobas e misóginas”, declarou.

“Os meios de comunicação e os usuários de redes sociais, por sua vez, devem informar os fatos de forma responsável, sem incitar atitudes e ações xenófobas, e devem também condenar todo ataque físico ou verbal contra os refugiados, migrantes e outras pessoas estrangeiras, quando estes ocorrerem.”

Refugiados e migrantes venezuelanos atravessam ponte Simon Bolívar com destino à Colômbia. Foto: ACNUR

Refugiados e migrantes venezuelanos atravessam ponte Simon Bolívar com destino à Colômbia. Foto: ACNUR

Diante dos atuais desafios humanitários e políticos, a América Latina deve continuar sendo fiel à sua tradição de solidariedade, afirmou no sábado (26) o representante especial conjunto da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) e Organização Internacional para as Migrações (OIM) para refugiados e migrantes venezuelanos, Eduardo Stein.

ACNUR e OIM continuarão apoiando os esforços dos Estados e da sociedade civil para atender as necessidades mais urgentes dos refugiados e migrantes, assim como para apoiar as comunidades de acolhida na região, segundo Stein.

“É com esse objetivo que foi estabelecida uma plataforma regional entre agências de coordenação — com agências do Sistema ONU e diversas organizações internacionais — e acaba de ser apresentado um Plano Regional de Resposta para Refugiados e Migrantes com o objetivo de fomentar uma resposta coordenada, mobilizar recursos da comunidade internacional e promover uma cultura da tolerância, convivência e inclusão”, disse.

Stein lembrou que o fluxo de centenas de milhares de refugiados e migrantes da Venezuela nos últimos anos é o maior movimento de população da história recente da América Latina. Para ele, diante dessa crise monumental, a reação dos países da região tem sido exemplar.

“Em minhas viagens pela região, pude constatar a solidariedade e o compromisso dos governos, organizações humanitárias e comunidades locais com os refugiados e migrantes da Venezuela. Os países da região receberam os venezuelanos e venezuelanas com carinho, generosidade e respeito, da mesma maneira que, no passado, o povo venezuelano abriu suas portas a um grande número de refugiados e migrantes da região”, afirmou.

O representante especial lembrou, no entanto, que nos últimos dias ataques físicos e verbais e ameaças contra cidadãos venezuelanos em vários países da região obscureceram esse panorama. “Apesar de isolados e não representativos, esses atos de ódio, intolerância e xenofobia são preocupantes. Frente a eles, é necessário que os governos e as sociedades respondam com uma mensagem de repúdio clara e contundente”.

“O racismo, a misoginia e a xenofobia não têm lugar em nossos países e devem ser condenados com firmeza. Os dirigentes políticos e formadores de opinião devem apelar em seus pronunciamentos a paz, justiça, calma e comedimento, condenando as atitudes e ações xenófobas e misóginas.”

“Os meios de comunicação e os usuários de redes sociais, por sua vez, devem informar os fatos de forma responsável, sem incitar atitudes e ações xenófobas, e devem também condenar todo ataque físico ou verbal contra os refugiados, migrantes e outras pessoas estrangeiras, quando estes ocorrerem.”

Segundo o representante especial, somente por meio de diálogo, solidariedade, justiça, coexistência e respeito pela diversidade poderemos resolver os múltiplos desafios da região.

“Diante dos atuais desafios humanitários e políticos, a América Latina deve continuar sendo fiel à sua tradição de solidariedade. Nesse contexto, o Processo de Quito — promovido por vários países da região — constitui um caminho de esperança, de entendimento e de construção comum: representa um caminho para fomentar recepção, proteção e inclusão de pessoas refugiadas e migrantes nos países de acolhida.”


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