Para alimentar o mundo e salvar o clima, o caminho é a agroecologia

O cultivo agroecológico poderia alimentar uma população estimada em 9 milhões de pessoas em 2050, se começasse a ser implementado hoje. A conclusão é dos especialistas que participaram do Seminário agroecológico das Nações Unidas em Bruxelas. Conclusões são baseadas em experiências de países como Cuba e Brasil e em programas como o da Via Campesina, movimento transnacional que realiza programas de treinamento agroecológico.

Relator Especial para o Direito à Alimentação, Olivier De Schutter. Foto: UN/Jean-Marc FerréO cultivo agroecológico – que melhora a produção alimentar e a economia dos camponeses, além de proteger solo, água e clima – poderia alimentar uma população estimada em 9 milhões de pessoas em 2050 se começasse a ser implementado hoje. A conclusão é dos especialistas que participaram do Seminário Agroecológico das Nações Unidas, na semana passada, em Bruxelas.

O Relator Especial para o Direito à Alimentação, Olivier De Schutter, afirmou que a maioria dos esforços para impulsionar a produção agrícola estão focados em investimentos em grande escala, fertilizantes químicos e máquinas. No entanto, pouca atenção tem sido dada a métodos agroecológicos mais efetivos. O cultivo agroecológico inclui o controle biológico de pestes e doenças usando predadores naturais, adubação verde de cobertura, culturas mistas, gerenciamento da pecuária e uma série de práticas complementares.

Benefícios do cultivo agroecológico

O maior estudo já realizado sobre o assunto aponta um ganho aproximado de 79% na produtividade da agricultura. O estudo cobriu 286 projetos em 57 países em desenvolvimento, representando uma área total de 37 milhões de hectares. Algumas das “histórias agroecológicas de sucesso” podem ser vistas na África. Na Tanzânia, onde as províncias do oeste eram conhecidas como o “Deserto da Tanzânia”, técnicas de reflorestamento permitiram que 350 hectares de terra fossem reabilitadas em duas décadas e fizeram com que a renda familiar aumentasse em cerca de 500 dólares por ano. Técnicas similares estão sendo aplicadas satisfatoriamente no Malauí.

Os especialistas em Bruxelas basearam suas conclusões nas experiências de países como Cuba e Brasil, que tem políticas pró-agroecologia, e nas experiências de sucesso de centros de pesquisa como o Centro Mundial de Agroflorestamento em Nairobi – assim como em programas como o da Via Campesina, movimento transnacional que realiza programas de treinamento agroecológico. “Com mais de um milhão de pessoas famintas no planeta e o clima em crise bem à nossa frente, devemos rapidamente aplicar estas técnicas sustentáveis. O que precisamos hoje é passar de projetos-piloto de sucesso para uma escala de políticas nacionais. Esta é a melhor opção que temos hoje. Não podemos deixar de usá-la”, afirmou o professor De Schutter.