Pandemia criará um novo paradigma de sanidade alimentar, diz especialista ouvido pelo Pacto Global

A pandemia de COVID-19 coloca em discussão duas questões importantes para o agronegócio: a segurança alimentar, ou seja, garantir o acesso de todos aos alimentos; e a sanidade alimentar, que visa evitar a transmissão de doenças através da alimentação.

O projeto “Quarentena com o Pacto” recebeu Marcos Jank,  professor do Insper e titular da cátedra Luiz Queiroz da Esalq-USP,  para quem o Brasil tem um papel fundamental tanto na garantia do abastecimento global, quanto na liderança de um novo paradigma de controle de doenças que atingem animais e humanos no mundo.

Novo SARS-CoV-2 de Coronavírus Micrografia eletrônica de varredura colorida de uma célula mostrando sinais morfológicos de apoptose, infectados com partículas do vírus SARS-COV-2 (laranja), isoladas de uma amostra de paciente. Imagem capturada no NIAID Integrated Research Facility (IRF) em Fort Detrick, Maryland. Crédito: NIAID

Novo SARS-CoV-2 de Coronavírus Micrografia eletrônica de varredura colorida de uma célula mostrando sinais morfológicos de apoptose, infectados com partículas do vírus SARS-COV-2 (laranja), isoladas de uma amostra de paciente. Imagem capturada no NIAID Integrated Research Facility (IRF) em Fort Detrick, Maryland. Crédito: NIAID

A pandemia de COVID-19 coloca em discussão duas questões importantes para o agronegócio: a segurança alimentar, ou seja, garantir o acesso de todos aos alimentos; e a sanidade alimentar, que visa evitar a transmissão de doenças através da alimentação.

O projeto Quarentena com o Pacto recebeu Marcos Jank,  professor do Insper e titular da cátedra Luiz Queiroz da Esalq-USP,  para quem o Brasil tem um papel fundamental tanto na garantia do abastecimento global, quanto na liderança de um novo paradigma de controle de doenças que atingem animais e humanos no mundo.

Para o professor, a atual pandemia pode evoluir de uma crise de saúde para uma crise de segurança alimentar, com risco de ruptura em cadeias de suprimentos e restrições ao comércio internacional. As consequências possíveis são desabastecimento e volatilidade de preços, a exemplo de epidemias anteriores, como a gripe aviária. Os países em desenvolvimento são mais vulneráveis e também há risco de instabilidade social e política caso a crise alimentar evolua.

Para Jank, o momento é de monitoramento de mercados e cadeias de suprimento em todo o mundo. Por enquanto, os impactos são sentidos de forma diferente por setor, com perturbações maiores na demanda por produtos perecíveis, como carne e laticínios, e menores para grãos. Do ponto de vista da oferta, os estoques mundiais estão altos, mas os impactos são sentidos principalmente em atividades agrícolas intensivas, devido a restrições a aglomerações e migrações.

Saúde, Sanidade e Sustentabilidade – Para o professor, o Brasil tem potencial de pioneirismo e liderança diante da crise. O país já tem discussões avançadas no contexto da sustentabilidade, mas pode progredir nos temas de saúde e sanidade relacionadas ao agronegócio. “Vamos ter que mudar o paradigma da sanidade em tempos de globalização. Não apenas a sanidade humana, mas também a sanidade animal e vegetal”, afirma.

Jank explica que o Brasil tem um papel histórico na garantia do abastecimento global, o que deve ser mantido durante a pandemia, principalmente nas exportações a países vulneráveis com relação à segurança alimentar. Já do ponto de vista da sanidade e saúde, podemos liderar a discussão global sobre os sistemas de vigilância e controle de doenças que atingem animais e humanos.

Alguns problemas sanitários encontrados hoje ao redor do mundo são a comercialização e abate de animais vivos em mercados, a caça e venda ilegal de animais silvestres, mercados tradicionais sem controle sanitário e falta de refrigeração em cadeias agroalimentares. Como solução, o especialista propõe o fortalecimento dos sistemas de controle sanitário, a eliminação da venda e abate de animais vivos em mercados abertos, a valorização de cadeias de produtos congelados e o combate às zoonoses originadas de animais silvestres, como é o caso da COVID-19.

A alimentação e o agronegócio relacionam-se, entre outros ODS, com o Objetivo 2 – Fome zero e agricultura sustentável e com os Princípios Empresariais para Alimentos e Agricultura – agendas trabalhadas na Plataforma Ação pelo Agro Sustentável da Rede Brasil do Pacto Global. Também há uma relação próxima com os Princípios do Pacto Global que pregam o desenvolvimento de atitudes e tecnologias ambientalmente sustentáveis.

Assista ao webinar completo com Marcos Jank: