Pampulha recebe título da UNESCO de patrimônio cultural da humanidade

O Comitê do Patrimônio Mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) incluiu no domingo (17) o Conjunto Moderno da Pampulha, de Belo Horizonte (MG), na Lista do Patrimônio Cultural da Humanidade. O local passa a ser o vigésimo bem brasileiro a fazer parte da lista, sendo Minas Gerais o estado do país com mais sítios inscritos.

Na Pampulha, vista da Igreja de São Francisco de Assis. Foto: Marcilio Gazzinelli/UNESCO

Na Pampulha, vista da Igreja de São Francisco de Assis. Foto: Marcilio Gazzinelli/UNESCO

O Comitê do Patrimônio Mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) incluiu no domingo (17) o Conjunto Moderno da Pampulha, localizado em Belo Horizonte, Minas Gerais, na Lista do Patrimônio Cultural da Humanidade.

O local passa a ser o vigésimo bem brasileiro a fazer parte da lista, sendo Minas Gerais o estado do país com mais sítios inscritos. O Conjunto Moderno da Pampulha une-se assim à Cidade Histórica de Ouro Preto, ao Centro Histórico da Cidade de Diamantina e ao Santuário do Bom Jesus de Matosinhos, localizado em Congonhas (MG).

Segundo a UNESCO, o conjunto da Pampulha tem importante significado para as gerações presentes e futuras da humanidade, pois representa um marco da história da arquitetura mundial e da história brasileira e das Américas.

Ele é composto por quatro edifícios, pelo espelho d’água do lago urbano artificial e pela orla trabalhada com paisagismo. O lago e a orla funcionam como elementos articuladores dos edifícios e reforçam as relações que eles estabelecem entre si.

Os edifícios da Pampulha, construídos entre 1942 e 1943, abrigam a Igreja de São Francisco de Assis, o Cassino (atual Museu da Pampulha), a Casa do Baile (atual Centro de Referência em Urbanismo, Arquitetura e Design de Belo Horizonte) e o Iate Clube.

O projeto original foi desenvolvido pelo arquiteto Oscar Niemeyer e o paisagista Roberto Burle Marx. Outros grandes artistas também deram a sua contribuição para o conjunto, entre eles, o pintor Cândido Portinari.

Critérios da Convenção do Patrimônio Mundial

De acordo com a agência da ONU, o valor universal do Conjunto Moderno da Pampulha decorre da confluência de três critérios estabelecidos na Convenção do Patrimônio Mundial, de 1972.

Por representar uma obra-prima, o conjunto destaca-se por seu caráter precursor e inovador e pela forte percepção de conjunto revelada na relação entre paisagem e os bens edificados.

O local também se destaca pelo trabalho integrado de expoentes da arquitetura, artes e paisagismo, atualmente reconhecidos internacionalmente, mas que na época de planejamento e execução do conjunto se encontravam nas fases iniciais de suas carreiras.

O segundo critério é a exibição de intercâmbio de valores humanos que afetaram o desenvolvimento da arquitetura, as artes monumentais, o urbanismo e o paisagismo. Nesse critério, o conjunto mostrou, segundo a UNESCO, ter influenciado a arquitetura mundial e nacional — como em Brasília, inscrita na Lista do Patrimônio, em 1987.

Além disso, a importância da Pampulha reside também na afirmação das identidades nacionais latino-americanas que, poucos anos depois de seus movimentos libertários e de sua constituição como nações independentes, buscavam construir suas personalidades próprias, distintas dos países europeus que as colonizaram.

O terceiro critério foi ser um exemplar de um conjunto arquitetônico que ilustra um estágio significativo da história. O período em que o conjunto foi planejado e construído — após a libertação de diversos países da América Latina, a constituição de novas repúblicas e passada a crise de 1929 — foi o pano de fundo para a busca de uma autonomia cultural e criativa.

UNESCO inscreve 12 novos locais na lista

De um parque nacional a um sítio arqueológico e um estaleiro naval, a agência cultural das Nações Unidas inscreveu 12 novos lugares de significado cultural e físico em sua Lista do Patrimônio Cultural da Humanidade.

Além do conjunto da Pampulha, os novos locais incluem o conjunto de edifícios projetados pelo arquiteto de origem suíça naturalizado francês Le Corbusier em sete países, assim como um estaleiro naval e projetos arquitetônicos relacionados de Antigua e Barbuda. Também foi incluído o Parque Nacional de Khangchendzonga, na Índia.

Os locais foram incluídos durante reunião da 40ª Sessão do Comitê do Patrimônio Mundial, aberta em Istambul, Turquia, no dia 10 de julho e encerrada três dias antes, no domingo, devido às instabilidades políticas no país após uma tentativa de golpe na Turquia na sexta-feira (15).

O próximo encontro do Comitê será realizado na cidade de Cracóvia, na Polônia, em julho de 2017.