Países só cumprirão metas da ONU com participação dos jovens, dizem dirigentes

AUMENTAR LETRA DIMINUIR LETRA

Se os países não incluírem os jovens em processos decisórios nem acompanharem as mobilizações contra a pobreza, as mudanças climáticas e as desigualdades, a juventude pode acabar “deixando para trás” as instâncias internacionais de governança, como a ONU. O alerta é de ativistas, lideranças comunitárias e também dirigentes das Nações Unidas, que participaram na terça-feira (30) da abertura do Fórum da Juventude do Conselho Econômico e Social da ONU (ECOSOC).

Salina Abraham, presidente da Associação Internacional de Estudantes de Silvicultura, na abertura do Fórum da Juventude. Foto: ONU/Eskinder Debebe

Salina Abraham, presidente da Associação Internacional de Estudantes de Silvicultura, na abertura do Fórum da Juventude. Foto: ONU/Eskinder Debebe

Se os países não incluírem os jovens em processos decisórios nem acompanharem as mobilizações contra a pobreza, as mudanças climáticas e as desigualdades, a juventude pode acabar “deixando para trás” as instâncias internacionais de governança, como a ONU. O alerta é de ativistas, lideranças comunitárias e também de dirigentes das Nações Unidas, que participaram na terça-feira (30) da abertura do Fórum da Juventude do Conselho Econômico e Social da ONU (ECOSOC).

Atualmente, o mundo é o lar da maior população jovem de toda a história — são 1,8 bilhão de meninos, meninas, adolescentes e jovens adultos, de dez a 24 anos de idade. Essa multidão de millenials e de gente nascida nos anos 1990 está revolucionando a maneira como comunidades enfrentam problemas sociais.

Eles são fonte de inovação e inspiração, mas também enfrentam desafios particulares — 71 milhões de jovens estão desempregados em todo o mundo e outros 161 milhões vivem em situações de pobreza moderada a extrema, apesar de terem um trabalho.

Presente na abertura do fórum, que reuniu até esta quarta-feira (31) mais de 500 defensores da juventude, a vice-secretária-geral da ONU, Amina Mohammed, lembrou que os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) — um conjunto de metas para erradicar a miséria, acabar com a fome, proteger o meio ambiente e eliminar as desigualdades de gênero — foram pensados “com os jovens”. A dirigente defendeu que a juventude “faça barulho” para ter sua voz ouvida nas decisões visando à implementação dessa agenda.

Reafirmando o lema dos ODS — “não deixar ninguém para trás” —, a enviada especial do secretário-geral das Nações Unidas para Juventude, Jayathma Wickramanayake, enfatizou que “se não acompanharmos o ritmo, os jovens vão deixar a ONU para trás”.

Entre as participantes do fórum, Salina Abraham, presidente da Associação Internacional de Estudantes de Silvicultura, defendeu um conceito expandido de desenvolvimento sustentável.

Para ela, “desenvolvimento sustentável é não ter de deixar sua casa, família e cultura para dar às suas crianças uma vida adequada”. “É não ter de esconder sua língua ou cultura em uma tentativa de se encaixar, apenas para nunca ser verdadeiramente aceito. Desenvolvimento sustentável é ter a segurança, os recursos, o acesso e as ferramentas para criar novas oportunidades onde quer que você escolha chamar de lar”, acrescentou.

O presidente da Assembleia Geral, Miroslav Lajčák, foi categórico: “se ignorarmos os jovens, não alcançaremos nenhum ODS”. Recordando que a juventude foi historicamente excluída das instâncias decisórias internacionais, o dirigente defendeu que “os jovens não podem mais ser desmerecidos como os rebeldes, terroristas ou desprovidos de direitos”. “Eles são os inovadores, os que encontram soluções, os empreendedores sociais e ambientais”, concluiu.

Brasileiros em Nova Iorque

Em Nova Iorque, a brasileira Lorenna Vilas Boas acompanhou as atividades do fórum a convite do Grupo Interagencial de Juventude da ONU Brasil e do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC). Em entrevista ao serviço de notícias da ONU em português, o ONU News, ela defendeu a democratização de soluções sustentáveis para os problemas de mobilidade urbana.

“Não adianta a gente investir em carro ecológico se esse carro é extremamente caro e ninguém vai comprar. E também (é necessário investir) em tecnologias voltadas a uma parte da população que sofre bastante com a questão da mobilidade, pessoas que têm algum tipo de deficiência ou de necessidade e que sofrem bastante com a falta de infraestrutura”, defendeu.

Lorena tem 19 anos e é estudante de Engenharia Elétrica na Universidade Federal da Bahia (UFBA). Ela participou do Fórum da Juventude ao lado de Daniel Canabrava, de 24 anos, mestre em Engenharia Urbana pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Ambos participaram do Programa Embaixadores da Juventude, uma iniciativa do UNODC.


Mais notícias de:

Comente

comentários