Países ricos precisam contribuir com emergentes para atingir metas globais, diz conferência da ONU

Os países em desenvolvimento seriam mais capazes de financiar a conquista dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável até 2030 se os países ricos cumprirem acordo firmado em 2002 de destinar ao menos 0,7% de seu Produto Interno Bruto (PIB) para ajuda internacional.

Em 2015, Estados-membros adotaram conjunto de novos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, que deverão ser cumpridos até 2030. Foto: ONU / Cia Pak

O terceiro dos 17 objetivos quer ‘assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar para todos, em todas as idades’. Foto: ONU / Cia Pak

Os países em desenvolvimento seriam mais capazes de financiar a conquista dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) até 2030 se os países ricos cumprirem acordo firmado em 2002 de destinar ao menos 0,7% de seu Produto Interno Bruto (PIB) para ajuda internacional.

A declaração é do relatório “Desenvolvimento e Globalização: Fatos e Números”, divulgado nesta segunda-feira (18) pela Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), em Nairóbi, no Quênia.

Segundo o secretário-geral da UNCTAD, Mukhisa Kituyi, se os países ricos tivessem contribuído com esse montante desde 2002, os países em desenvolvimento já teriam 2 trilhões de dólares para investir na conquista dos ODS.

“Os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável são resultado de discussões longas e sérias sobre o que queremos para o mundo em 2030, mas essa visão precisa de importantes financiamentos”, disse Kituyi.

“A meta de 0,7% será difícil para muitos países ricos, mas os objetivos são ambiciosos e requerem respostas igualmente ambiciosas”, declarou.

Em 2015, a comunidade internacional atribuiu à UNCTAD e a quatro outras organizações a tarefa de identificar os meios para financiar a conquista dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, por meio da Agenda de Ação Addis Ababa. As outras organizações são Fundo Monetário Internacional (FMI), Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), Banco Mundial e Organização Mundial do Comércio (OMC).

O relatório da UNCTAD deste ano fez estimativas sobre os recursos necessários para atingir um terço do total de 230 indicadores — métodos estatísticos para acompanhar as metas globais — dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável.

Os ODS têm quatro vezes o número de indicadores de sua agenda precedente, os Objetivos do Milênio, disse o diretor de estatísticas da UNCTAD, Steve MacFeely. Mas mesmo na agenda anterior, a comunidade global foi capaz de medir apenas 70% dos indicadores.

“A comunidade global enfrenta graves ausências de dados e precisa encontrar formas de usar os dados existentes de maneira melhor”, disse MacFeely, acrescentando que o relatório deste ano pode ajudar a avançar. “Este relatório é online e interativo e já mostrou importantes resultados”.

Apenas seis países já atingiram os objetivos, que foram primeiramente propostos pela UNCTAD em 1968 e posteriormente seguidos pela comunidade global em 1970 e mais tarde reconfirmados em uma conferência de financiamento para o desenvolvimento em Monterrey, no México, em março de 2002.