Países não estão fazendo o suficiente para acabar com tuberculose, diz relatório da OMS

Os países não estão fazendo o suficiente para acabar com a tuberculose — a doença infecciosa mais letal do mundo — até 2030, alertou a Organização Mundial da Saúde (OMS) nesta terça-feira (18), ao lançar o mais recente relatório global sobre o tema.

O documento mostra que a disparidade geográfica é gritante, com 500 casos de tuberculose para cada 100 mil habitantes em países incluindo Moçambique, Filipinas e África do Sul; e menos de dez para cada 100 mil pessoas em países de alta renda.

Vacina BCG, utilizada contra a tuberculose, é preparada em centro de saúde em Bougouni, no Mali, em março de 2018. Foto: UNICEF/Ilvy Njiokiktjien

Vacina BCG, utilizada contra a tuberculose, é preparada em centro de saúde em Bougouni, no Mali, em março de 2018. Foto: UNICEF/Ilvy Njiokiktjien

Os países não estão fazendo o suficiente para acabar com a tuberculose — a doença infecciosa mais letal do mundo — até 2030, alertou a Organização Mundial da Saúde (OMS) nesta terça-feira (18), ao lançar o mais recente relatório global sobre o tema.

O documento mostra que, globalmente, os casos de tuberculose estão caindo mais lentamente do que o necessário para atingir as metas estabelecidas pela estratégia de combate à doença estabelecida pela OMS.

A doença fatal, que afeta os pulmões e é transmitida pelo ar, permanece uma das dez principais causas de mortes no mundo, e é a principal causa de morte a partir de um único agente infeccioso, à frente do HIV/AIDS. Isso ocorre apesar do fato de os esforços globais terem evitado estimadas 54 milhões de mortes pela doença desde o ano 2000.

O relatório mostra que quase um quarto da população mundial, ou 1,3 bilhão de pessoas, está sob risco de desenvolver tuberculose durante a vida, e cerca de 10 milhões de pessoas foram infectadas pela doença no ano passado.

A disparidade geográfica é gritante, com 500 casos para cada 100 mil habitantes em países incluindo Moçambique, Filipinas e África do Sul; e menos de dez para cada 100 mil pessoas em países de alta renda.

A resistência bacteriana permanece como uma crise de saúde pública, com mais de 500 mil pessoas contraindo tuberculose resistente a rifampicin, a principal droga utilizada para combater a doença.

O relatório foi lançado às vésperas da primeira reunião de alto nível da Assembleia Geral da ONU sobre o tema, que ocorrerá na sede das Nações Unidas, em Nova Iorque, em 26 de setembro. O tema da reunião será “Unidos para acabar com a tuberculose: uma resposta global urgente para uma epidemia global”.

A reunião de alto nível ocorre após uma conferência ministerial global sobre o tema realizada em Moscou em novembro de 2017, que resultou em compromissos de cerca de 120 países para acelerar a resposta à doença.

Em junho, o secretário-geral da ONU, António Guterres, disse durante uma reunião preparatória com a sociedade civil que, para vencer a tuberculose, é necessário enfrentar os fatores sociais que impulsionam a doença — particularmente a pobreza e a desigualdade —, ampliando os esforços para fornecer cobertura de saúde universal e combater a crescente ameaça da resistência a antibióticos.

“Nunca vimos atenção e entendimento políticos tão grandes sobre o que o mundo precisa para acabar com a tuberculose e com a tuberculose resistente a medicamentos”, disse Tedros Adhanom Ghebrayesus, diretor-geral da OMS. “Precisamos capitalizar esse novo impulso e agir juntos para acabar com essa doença terrível”.

Enquanto a sub-notificação e a falta de diagnóstico são mencionados como importantes desafios na luta contra a tuberculose, a falta de investimento no combate à doença também é um problema, de acordo com o documento.

Em 2018, os investimentos na prevenção à tuberculose em países de baixa e média renda ficou 3,5 bilhões de dólares abaixo do necessário. Sem um aumento, esse volume poderá ficar 6 bilhões de dólares abaixo do necessário até 2022.

O relatório cita a cúpula de 26 de setembro como uma “oportunidade histórica para colocar a resposta à tuberculose de volta aos trilhos”.


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