Países latino-americanos reúnem-se no Chile para discutir políticas públicas digitais

AUMENTAR LETRA DIMINUIR LETRA

Representantes de países de América Latina e Caribe reuniram-se esta semana em Santiago, no Chile, para discutir a nova agenda digital regional, denominada eLAC2020, com a convicção de que a revolução tecnológica em curso exige uma atualização permanente das políticas públicas digitais, em linha com os objetivos da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável.

Em um cenário de baixo crescimento regional e de aumento do protecionismo no mundo, “é necessário implementar políticas de mudança estrutural na América Latina e no Caribe, priorizando a adoção das tecnologias digitais como catalizadoras da produtividade, do crescimento, da inclusão e da sustentabilidade ambiental”, disse Alicia Bárcena, secretária-executiva da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL).

Segundo o Observatório Regional de Banda Larga (ORBA, na sigla em espanhol), da CEPAL, a América Latina e o Caribe avançaram de forma sustentável em matéria de acesso à Internet na última década. Foto: EBC

Segundo o Observatório Regional de Banda Larga (ORBA, na sigla em espanhol), da CEPAL, a América Latina e o Caribe avançaram de forma sustentável em matéria de acesso à Internet na última década. Foto: EBC

Representantes de países de América Latina e Caribe reuniram-se esta semana em Santiago, no Chile, para discutir a nova agenda digital regional, denominada eLAC2020, com a convicção de que a revolução tecnológica em curso exige uma atualização permanente das políticas públicas digitais, em linha com os objetivos da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, e um compromisso de todos os atores envolvidos.

A reunião preparatória da Sexta Conferência Ministerial sobre a Sociedade da Informação da América Latina e do Caribe foi inaugurada por Alicia Bárcena, secretária-executiva da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL); Yolanda Mantínez, titular da unidade de governo digital da Secretaria da Função Pública do México; Juan Sebastián Rozo, vice-ministro-geral de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) da Colômbia; e Rodrigo Ramírez, subsecretário de telecomunicações do Chile.

O encontro, concluído nesta quarta-feira (9), avaliou os compromissos assumidos na agenda digital vigente, que será aprovada na Sexta Conferência Ministerial que será realizada de 18 a 20 de abril de 2018 em Cartagena, na Colômbia.

Em um cenário de baixo crescimento regional e de aumento do protecionismo no mundo, “é necessário implementar políticas de mudança estrutural na América Latina e no Caribe, priorizando a adoção das tecnologias digitais como catalizadoras da produtividade, do crescimento, da inclusão e da sustentabilidade ambiental”, disse Alicia Bárcena, destacando a aprovação de quatro planos de ação desde a Primeira Conferência Ministerial sobre a Sociedade da Informação ocorrida no Rio de Janeiro em 2005.

Esses planos consolidaram o processo da eLAC como uma agenda regional para a definição de estratégias nacionais e como um espaço de intercâmbio de boas práticas e cooperação, afirmou Bárcena. Nesse marco, pediu a superação de cinco grandes desigualdades digitais relacionadas com a infraestrutura; a inovação baseada em grandes dados; a digitalização da produção; a formação de habilidades digitais; e a articulação de políticas digitais e de segurança cibernética.

Yolanda Martínez, titular da unidade de Governo Digital da Secretaria da Função Pública do México, afirmou que seu país “está totalmente comprometido com a agenda digital da América Latina e do Caribe” e se mostrou convencida de que a reunião preparatória entregará os insumos necessários para definir e fortalecer a nova agenda eLAC2020.

Rodrigo Ramírez, subsecretário de telecomunicações do Chile, lembrou a necessidade de um “marco regulatório convergente” capaz de superar a defasagem com a qual atua hoje a institucionalidade na região. “Se conseguirmos reformular nossos modelos de desenvolvimento, desde a extração de matérias-primas até a exportação de
produtos e serviços digitais de valor agregado, poderemos crescer sustentavelmente e alcançar o desenvolvimento”, afirmou.

Segundo dados do Observatório Regional de Banda Larga (ORBA, na sigla em espanhol), da CEPAL, a América Latina e o Caribe avançaram de forma sustentável em matéria de acesso: hoje mais da metade dos latino-americanos e caribenhos usa Internet (há sete anos, essa cifra era de apenas um terço) e o acesso à banda larga móvel quase duplicou na região, apesar de ainda estar longe dos níveis observados nos países desenvolvidos.

A reunião teve cinco painéis de debate sobre temas como o papel da digitalização e da inovação na implementação da Agenda 2030, de um mercado digital regional, da inovação baseada em dados, da Internet industrial e o desenvolvimento digital inclusivo, além de uma sessão de discussão sobre a agenda digital eLAC2020.


Mais notícias de:

Comente

comentários