Países latino-americanos precisam rever seu papel no comércio internacional, diz CEPAL

AUMENTAR LETRA DIMINUIR LETRA

A combinação de uma persistente tendência recessiva com o protecionismo levou a uma conjuntura especialmente difícil para as economias da América Latina e do Caribe, que precisarão rediscutir seu padrão de inserção no comércio internacional, na avaliação da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL). Em novo relatório divulgado nesta quarta-feira (23), o órgão da ONU projetou uma contração de 5% das exportações regionais em 2016.

O valor do comércio exterior do país ao exterior terá queda de cerca de 16. Foto:APPA

Economia brasileira deve registrar retração este ano. Foto: APPA

A Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) apresentou nesta quarta-feira (23) seu relatório anual “Panorama da Inserção Internacional da América Latina e Caribe 2016”, em que ressalta a importância de uma resposta ativa da região às tensões da globalização e à crescente incerteza no cenário econômico mundial.

A combinação de uma persistente tendência recessiva com o protecionismo levou a uma conjuntura especialmente difícil para as economias latino-americanas e caribenhas, que deverão rediscutir seu padrão de inserção internacional, de acordo com o órgão da ONU.

Segundo a CEPAL, o perfil das exportações latino-americanas tornou-se uma restrição estrutural ao crescimento de longo prazo, com tendência de retrocesso que pode levar à redução das conquistas sociais da década passada.

O debate é particularmente relevante em um momento em que se manifesta a ineficácia da governança global para enfrentar os persistentes desequilíbrios comerciais, financeiros e regulatórios, que já afetam os países desenvolvidos e começam a atingir a região, indicou o organismo regional da ONU.

“Devemos diversificar a estrutura produtiva da América Latina e do Caribe para impulsionar a recuperação econômica. É necessário continuar apostando na diversificação, nas cadeias de valor, nas cadeias produtivas como fundamento e na integração intrarregional, que hoje são mais necessárias que nunca”, declarou a secretária-executiva da CEPAL, Alicia Bárcena, coletiva de imprensa de apresentação do documento em Santiago, no Chile.

Novas estimativas mostram que o comércio exterior latino-americano e caribenho deve ter este ano seu pior desempenho em oito décadas. Em 2016, o valor das exportações da região cairá pelo quarto ano consecutivo, com uma redução de 5% em valor, devido ao menor dinamismo da demanda mundial e crescente incerteza global. A queda, no entanto, é menor do que a registrada em 2015 (-15%). No caso do Brasil, a baixa será de 4%, com redução de 10,4% das importações.

O estudo apontou uma redução maior do comércio entre países da região, estimada em 10%, do que para o restante do mundo — tal como ocorreu nos três anos anteriores. A dinâmica foi especialmente negativa no comércio entre economias da América do Sul, disse a CEPAL.

O relatório ressaltou que a participação da região nas exportações mundiais de bens e serviços se estagnou em torno de 6% nos últimos 15 anos, retrocedendo no caso dos bens de alta tecnologia e serviços empresariais, financeiros e de telecomunicações na comparação com os países em desenvolvimento da Ásia, especialmente a China.

No documento, a CEPAL apresentou pela primeira vez projeções para o comércio exterior regional no período de 2017-2020, que mostram uma modesta recuperação: seu valor crescerá a uma taxa média anual próxima a 3% tanto para as exportações (2,9%) como para as importações (3,1%).

Para superar as tensões da globalização e a difícil conjuntura do comércio regional, o relatório recomendou aos países latino-americanos e caribenhos avançar na diversificação de suas exportações e na integração regional.

Também recomendou impulsionar a convergência entre os blocos de integração; avançar rumo a um mercado regional digital; implementar um programa de infraestrutura e de políticas industriais e comerciais consistentes com a revolução tecnológica.

O “Panorama da Inserção Internacional 2016” analisou, também, os efeitos potenciais do Acordo da Associação Transpacífico (TPP, na sigla em inglês), cuja aprovação enfrenta um cenário cada vez mais incerto. Ao se materializar, o mercado que cobriria este acordo representaria 38% do Produto Interno Bruto (PIB) global e 24% do comercio mundial de bens.

Clique aqui para acessar o relatório completo (em espanhol).


Mais notícias de:

Comente

comentários