Países latino-americanos estão mais preparados para assumir o desenvolvimento sustentável, diz CEPAL

Há vinte anos o baixo crescimento, a alta inflação e o endividamento externo dominavam as economias latino-americanas. Hoje, a estabilidade econômica permite assumir melhor a transição verde.

A Secretária Executiva da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL), Alicia Bárcena, acredita que os países latino-americanos estão mais preparados para assumir a transição proposta pela Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20) do que estiveram na Cúpula da Terra em 1992. Bárcena esteve presente nesta quarta-feira (28/03) na sede da ONU em Nova York para o lançamento do documento final “A Sustentabilidade do Desenvolvimento 20 anos Depois da Cúpula da Terra: Progressos, Lacunas e Orientações Estratégicas para a América Latina e o Caribe”.

Ela lembrou que o contexto econômico dos países latinos a menos de três meses da Rio+20 é diferente daquele vivido na Cúpula da Terra em 1992, quando o continente tinha acabado de sair da “década perdida”. Se antes, o baixo crescimento, a alta inflação e o endividamento externo dominavam as economias latino-americanas, hoje, a maioria da região apresenta crescimento econômico e inflação controlada. Para ela, a estabilidade econômica conquistada permite que assumam melhor a transição para o desenvolvimento sustentável.

Nesse tempo foi possível que os países latinos investissem mais em programas sustentáveis e aprimorassem as leis e instituições dedicadas às questões ambientais e de desenvolvimento sustentável. “Quase todos os países têm implementado programas de eficiência energética e, a partir de 2000, observa-se na maioria deles a implantação de políticas para promover o investimento em energia renovável”, defendeu Bárcena.

Mas a Secretária Executiva também alertou que a América Latina e o Caribe ainda enfrentam desafios significativos em termos de inclusão social, igualdade, erradicação da pobreza, desmatamento e proteção do meio ambiente. Para ela a degradação ambiental atinge mais fortemente grupos em posição de desvantagem.

Para vencer esses desafios, Barcena orienta que sejam implementados indicadores de desenvolvimento sustentável o que poderia acelerar a transição para a sustentabilidade, ao  internalizar de modo integral os custos ambientais e sociais na economia. A Rio+20, para ela, pode ser uma oportunidade para redefinir a visão do desenvolvimento futuro.