Países firmam compromisso pela saúde de mulheres, crianças e adolescentes na América Latina e Caribe

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Em reunião no Chile, países da América Latina e do Caribe firmaram na terça-feira (4) um acordo para pôr fim às mortes evitáveis de mulheres, crianças e adolescentes até 2030. O documento, chamado Compromisso para Ação de Santiago, foi apresentado pela presidenta chilena Michelle Bachelet a representantes de nove nações, incluindo do Brasil. Também participaram do encontro dirigentes de organismos da ONU.

Países firmam compromisso para implementar metas globais de saúde da mulher, criança e adolescente na América Latina e Caribe. Foto: UNFPA

Países firmam compromisso para implementar metas globais de saúde da mulher, criança e adolescente na América Latina e Caribe. Foto: UNFPA

Em reunião no Chile, países da América Latina e do Caribe firmaram na terça-feira (4) um acordo para pôr fim às mortes evitáveis de mulheres, crianças e adolescentes até 2030. O documento, chamado Compromisso para Ação de Santiago, foi apresentado pela presidenta chilena Michelle Bachelet e adotado por representantes de nove nações, incluindo do Brasil. Também participaram do encontro dirigentes de organismos da ONU.

Cerca de 196 mil crianças com menos de cinco anos morrem na América Latina e no Caribe a cada ano. Desse grupo, 85% têm menos de um ano de idade. Na região, mais de 6,2 mil mulheres morreram em 2015 por complicações durante a gravidez e parto, a maioria delas preveníveis.

A saúde dos jovens e suas chances de prosperar também estão condicionadas às disparidades no acesso a saúde, educação e oportunidades de emprego. As Américas têm uma das maiores taxas de gravidez na adolescência do mundo. Entre a principais causas de morte dos adolescentes, estão os homicídios (24%), os acidentes de trânsito (20%) e os suicídios (7%).

“As desigualdades em saúde não são apenas injustas, mas também ameaçam os avanços que fizemos nas últimas décadas e colocam em perigo o crescimento econômico e o desenvolvimento social” na região, enfatizou a diretora da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), Carissa F. Etienne.

Segundo a dirigente, em alguns países da América Latina, a porcentagem de partos acompanhados por pessoas qualificadas pode ser nove vezes maior entre as mães que frequentaram o ensino secundário do que entre as gestantes que não tiveram acesso a educação. Mães e filhos no meio rural têm risco até duas vezes mais alto de não receber atenção pós-natal do que em zonas urbanas.

Carissa também alertou que, nas Américas, as jovens dos setores mais pobres têm demandas não satisfeitas por planejamento familiar que são, em média, quatro vezes maiores que as das parcelas mais ricas. Em alguns países da região, a gravidez na adolescência é 40% mais alta entre jovens negras.

O Compromisso para Ação de Santiago foi lançado e adotado durante a reunião de alto nível Todas as Mulheres, Todas as Crianças, Todos os Adolescentes, que contou com a participação dos ministros de Barbados, Chile, Cuba, Guatemala, México, Uruguai e outras nações. O ministro do Desenvolvimento Social do Brasil, Osmar Gasparini Terra, também participou do encontro.

“Precisamos de cada país para desenvolver uma abordagem integrada para mulheres, crianças e adolescentes, fortalecendo componentes da estratégia como o desenvolvimento da primeira infância, saúde e bem-estar dos adolescentes, melhorar a qualidade, equidade e dignidade nos serviços de saúde, direitos sexuais e reprodutivos, empoderamento das mulheres, meninas e comunidades, e soluções para as crises humanitárias e situações mais frágeis em nossa região”, afirmou Bachelet.

O acordo regional visa dar início à implementação nas Américas da Estratégia Global para a Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente 2016-2030, um roteiro lançado pelo secretário-geral das Nações Unidas para melhorar as condições de vida desses segmentos.

O brasileiro e vice-diretor-executivo do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS), Luiz Loures, ressaltou que a “América Latina e o Caribe são os primeiros a ter uma coordenação regional (para a estratégia global)”.

Os países que aderiram ao Compromisso também garantem que abordarão as desigualdades de gênero, étnicas e de direitos humanos. O documento reconhece que essas três dimensões estão interligadas, podendo ser agravadas por situações de discriminação.

Entre as ações prioritárias definidas pelo documento, está a promoção da qualidade no atendimento e do acesso universal aos serviços de saúde. Também estão previstos o fortalecimento da cooperação entre Estados para abordar contextos específicos e a realização de ações multissetoriais dentro e entre os países signatários.

A assessora regional de saúde sexual e reprodutiva do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), Alma Virgínia Camacho, afirmou que “a estratégia prioriza o princípio de ‘não deixar ninguém para trás’, que é consistente com a Agenda 2030“.

Ainda segundo a especialista, o acordo está em consonância com o mandato da agência da ONU, que busca contribuir com um mundo no qual cada gravidez seja desejada, cada parto seja seguro e cada jovem possa alcançar seu pleno potencial.


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