Países emergentes respondem por maior parte do crescimento industrial no 1º trimestre, diz UNIDO

A produção mundial subiu 2,1% no primeiro trimestre de 2016, comparado ao mesmo período do ano anterior. Desse total, 0,3% correspondeu ao crescimento da produção industrial das economias industrializadas, e 4,7% das economias industriais em desenvolvimento.

A produção industrial da América Latina, que sofreu com a queda da demanda global por commodities e a baixa do preço dos combustíveis, recuou 3,3%. Um dos maiores declínios foi o do Brasil, de 11,2%. A produção industrial chinesa, por outro lado, teve alta de 7,4%.

A indústria automobilística foi uma das mais afetadas em 2015. Foto: Fotos Públicas/GM Brasil

Produção industrial brasileira caiu 11,2% no primeiro trimestre. Foto: Fotos Públicas/GM Brasil

O crescimento da indústria mundial permaneceu fraco no primeiro trimestre de 2016 devido à frágil recuperação das economias industrializadas, o que por sua vez teve impacto nas taxas de crescimento das economias em desenvolvimento e emergentes, de acordo com relatório trimestral da Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (UNIDO) divulgado na quinta-feira (2).

Apesar da desaceleração, economias em desenvolvimento e emergentes contribuíram com 90% do crescimento industrial global.

A produção mundial subiu 2,1% no primeiro trimestre de 2016, comparado ao mesmo período do ano anterior. Desse total, 0,3% correspondeu ao crescimento da produção industrial das economias industrializadas, e 4,7% das economias industriais em desenvolvimento.

A maior parte do crescimento das economias industrializadas veio da Europa, onde a produção subiu 2,3%. Na Ásia Oriental, por outro lado, houve queda de 2,9%.

As economias da zona do euro, apoiadas pela baixa dos preços de energia e do euro desvalorizado, mostraram crescimento consistente, com a produção industrial de Grécia, Itália e Espanha subindo.

Com a incerteza criada sobre a potencial saída do Reino Unido da União Europeia, o país teve um declínio da produção industrial. A produção também caiu em economias dependentes da indústria petroleira como Noruega e Rússia, de 6,4% e 3,4%, respectivamente.

A produção industrial da China, que recentemente emergiu como a maior indústria do mundo, subiu 7,4% no primeiro trimestre.

Resultados da América Latina

A produção industrial da América Latina, que sofreu com a queda da demanda global por commodities e a baixa do preço dos combustíveis, recuou 3,3%. Um dos maiores declínios foi o do Brasil, de 11,2%.

As economias asiáticas mostraram um desempenho melhor com o aumento da produção industrial em Malásia, Indonésia e Vietnã. No entanto, a produção industrial da Índia caiu inesperadamente 2,2% após um curto período de crescimento.

A produção industrial da África caiu 1,1%, com as principais economias do continente sofrendo com a baixa dos fluxos de capital e redução das exportações.

O relatório da UNIDO oferece ainda uma perspectiva setorial. A produção mundial de tabaco caiu 3,4% no período. Por outro lado, a fabricação de produtos farmacêuticos subiu 4,8%.

As economias industrializadas mantiveram crescimento maior na produção de veículos automotores, produtos farmacêuticos e químicos. Economias em desenvolvimento e emergentes mantiveram um crescimento maior em roupas, produtos minerais não metálicos e eletrônicos de consumo.