Países em desenvolvimento enfrentam desafios em se beneficiar da computação em nuvem, afirma UNCTAD

Não há nada de nebuloso sobre computação em nuvem, especialmente no que se refere aos países em desenvolvimento, diz um relatório da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) lançado na terça (3) e que apresenta um ranking dos países e os principais gargalos.

No caso do Brasil, o desafio é ampliar a velocidade com que os arquivos são salvos na Internet, o chamado upload. A economia brasileira aparece entre as que têm condições mínimas de infraestrutura para serviços básicos de computação em nuvem, atrás de países como Mongólia, Rússia e Portugal, onde serviços avançados dessa tecnologia têm os requisitos de qualidade de infraestrutura atendidos.

Para as empresas e governos nas nações mais pobres se beneficiarem da computação em nuvem são necessárias ferramentas de processamento de dados que tenham os pés no chão. Isto é, infraestrutura de banda larga, assim como leis e regulações que encorajem o investimento necessário para pagar por informação avançada, instalações de tecnologia de comunicação e proteção aos usuários dos serviços em nuvem.

“Isto tem um potencial considerável para o desenvolvimento social e econômico, em particular para nossos esforços de alcançar as Metas de Desenvolvimento do Milênio e para definir uma agenda forte para um futuro próspero, sustentável e justo”, afirma o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, no prefácio do Relatório da Economia da Informação 2013: A Economia da Nuvem e Países Desenvolvidos.

Lacuna tecnológica

O estudo mostra que a computação em nuvem tem o potencial de aprimorar a eficiência, mas observa que as opções de nuvem em países com renda baixa ou média parece muito diferente daquela em países mais avançados. O fosso da disponibilidade de infraestrutura relacionada à tecnologia de nuvem entre os países desenvolvidos e os em desenvolvimento continua aumentando.

O acesso à Internet de banda larga a preços acessíveis ainda está longe do satisfatório nas nações em desenvolvimento, especialmente nos países menos desenvolvidos. Além disso, a maioria dos países de baixa renda depende de redes de banda larga móvel caracterizadas pela velocidade baixa e alta inatividade e, portanto, não sendo ideal para a prestação do serviço em nuvem.

O relatório afirma que as nações em desenvolvimento devem procurar o conhecimento necessário para tomar decisões inteligentes e rentáveis sobre que infraestrutura é necessária e sobre como mobilizar recursos financeiros. Ele sugere que parceiros desenvolvidos contribuam ajudando os países mais pobres a reduzir a lacuna digital, talvez fornecendo apoio com contribuições para o financiamento de infraestrutura relacionada à tecnologia de nuvem. Além disso, eles poderiam ajudar os países em desenvolvimento a estabelecer quadros jurídicos e regulamentações adequadas.