Países devem atenuar os efeitos da COVID-19 no comércio e nos mercados de alimentos, alerta FAO

A incerteza sobre a disponibilidade de alimentos pode desencadear uma onda de restrições à exportação, gerando escassez no mercado mundial. Essas reações podem alterar o equilíbrio entre a oferta e a demanda por alimentos, levando a picos de preços e maior volatilidade.

É preciso fazer tudo que é possível para assegurar que o comércio flua tão livremente quanto seja permitido, principalmente para evitar a escassez de alimentos.

Da mesma forma, também é essencial proteger os produtores de alimentos e trabalhadores do setor alimentício na elaboração e comercialização no varejo, visando minimizar a propagação da doença nesse setor e manter as cadeias de suprimento de alimentos.

A incerteza sobre a disponibilidade de alimentos pode desencadear uma onda de restrições à exportação, gerando escassez no mercado mundial. Foto: Quang Nguyen Vinh/Pexels

Milhões de pessoas em todo o mundo dependem do comércio internacional para sua segurança alimentar e meios de subsistência. À medida que os países avançam na adoção de medidas para impedir a propagação da pandemia da COVID-19, deve-se tomar cuidado para minimizar as possíveis repercussões no fornecimento de alimentos ou as consequências imprevistas no comércio mundial e na segurança alimentar, alerta a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).

Ao agir para proteger a saúde e o bem-estar de seus cidadãos, os países devem garantir que nenhuma medida relacionada ao comércio interrompa a cadeia de fornecimento de alimentos. A limitação da circulação de trabalhadores da indústria agrícola e de alimentos, e o aumento dos atrasos nas fronteiras dos contêineres com alimentos levam à deterioração dos produtos perecíveis e ao aumento do desperdício. As restrições ao comércio de alimentos também podem estar vinculadas às preocupações injustificadas sobre a inocuidade dos alimentos. Se essa hipótese se concretizar, a cadeia de suprimento de alimentos seria interrompida, com consequências especialmente profundas para as populações mais vulneráveis e que sofrem de maior insegurança alimentar.

A incerteza sobre a disponibilidade de alimentos pode desencadear uma onda de restrições à exportação, gerando escassez no mercado mundial. Essas reações podem alterar o equilíbrio entre a oferta e a demanda por alimentos, levando a picos de preços e maior volatilidade. Crises passadas mostraram que essas medidas são muito prejudiciais para os países de baixa renda e com déficit alimentar, bem como para as organizações humanitárias que podem ter dificuldade para obter alimentos para aqueles que mais precisam.

É preciso impedir que essas medidas prejudiciais aconteçam novamente. Por isso, em momentos como este, a cooperação internacional é extremamente necessária. Em um contexto de confinamento causado pela COVID-19, é preciso fazer tudo que é possível para assegurar que o comércio flua tão livremente quanto seja permitido, principalmente para evitar a escassez de alimentos. Da mesma forma, também é essencial proteger os produtores de alimentos e trabalhadores do setor alimentício na elaboração e comercialização no varejo, visando minimizar a propagação da doença nesse setor e manter as cadeias de suprimento de alimentos. Os consumidores – especialmente os mais vulneráveis – devem continuar podendo ter acesso aos alimentos dentro de suas comunidades sob rígidos requisitos de inocuidade.

Também devemos garantir que as informações sobre as medidas de comércio, os níveis de produção, o consumo e os estoques de alimentos – assim como os preços – estejam disponíveis para todos em tempo real. Isso reduz a incerteza e permite que produtores, consumidores e comerciantes tomem decisões seguras. Isso ajuda, acima de tudo, a conter o pânico nas compras e acúmulos de alimentos e outros itens essenciais.

Agora é a hora de mostrar solidariedade, agir com responsabilidade e juntar-se ao objetivo comum da FAO de aumentar a segurança e a inocuidade alimentar e a nutrição, melhorando o bem-estar geral das pessoas em todo o mundo. É necessário garantir que a resposta à COVID-19 não cause inadvertidamente uma falta injustificada de itens essenciais e agrave a fome e a desnutrição.