Países dependentes de matérias-primas precisam diversificar economia, diz relatório

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Sem uma decidida vontade de realizar mudanças de política econômica até 2030, os países em desenvolvimento que dependem de produtos básicos serão superados por economias mais diversificadas em termos de conquistas sociais e econômicas, segundo relatório publicado em dezembro (11) por Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) e Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).

Segundo o relatório, entre as medidas econômicas que podem promover o crescimento inclusivo nos próximos 15 anos, estão a diversificação econômica, a ampliação dos vínculos entre o setor de produtos básicos e a economia nacional, a adoção de políticas de gasto de caráter anticíclico que permitam constituir reservas durante os períodos de preços altos e utilizá-las durante os períodos de redução de preços, a geração de valor agregado nas matérias-primas e o investimento em proteção social, saúde e educação.

Superciclo das commodities impulsionou crescimento do Brasil no passado. Foto: EBC

Superciclo das commodities impulsionou crescimento do Brasil no passado. Foto: EBC

Sem uma decidida vontade de realizar mudanças de política econômica até 2030, os países em desenvolvimento que dependem de produtos básicos serão superados por economias mais diversificadas em termos de conquistas sociais e econômicas, segundo relatório publicado em dezembro (11) por Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) e Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).

O documento “Matérias-primas e desenvolvimento 2017” afirma que isso pode ocorrer uma vez que os preços mundiais dos produtos básicos alimentares e não alimentares — com exceção do petróleo — devem cair nos próximos anos para os níveis de 2010. Podem inclusive aumentar levemente pouco antes de 2030 — data limite para a conquista dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). No entanto, os preços podem divergir quando discriminados países e regiões.

O relatório afirma ainda que o auge dos preços das commodities, ocorrido entre 2003 e 2011, impulsionou as receitas com exportações e, em geral, as taxas de crescimento econômico de muitos países em desenvolvimento dependentes de produtos básicos. No entanto, esta tendência desacelerou ou inclusive retrocedeu desde que os preços mundiais das matérias-primas se estabilizaram em um nível mais baixo.

Isso, por sua vez, demonstrou a importância de investir em capital humano e em proteção social, assim como em políticas redistributivas, uma vez que, apesar do crescimento da economia em geral ser sólido, por si só não necessariamente propicia conquistas em matéria de redução da pobreza e de aumento da segurança alimentar.

O relatório destaca ainda a necessidade de esses países dependentes de matérias-primas prosseguirem com sua transformação estrutural com o objetivo de melhorar suas perspectivas econômicas e sociais, reduzir a pobreza, obter segurança alimentar e, em geral, atingir os ODS.

Com o objetivo de apoiar suas recomendações, o relatório examina as diferentes políticas aplicadas por vários países e seus respectivos efeitos socioeconômicos. Os estudos abordam produtos básicos como soja (Argentina e Brasil); arroz (Bangladesh); diamantes (Botswana e Serra Leoa); algodão (Burkina Faso); café e banana (Costa Rica); cacau (Gana); níquel (Indonésia); sorgo (Mali); petróleo (Nigéria); e cobre (Zâmbia).

Segundo o relatório, entre as medidas econômicas que podem promover o crescimento inclusivo nos próximos 15 anos, estão a diversificação econômica, a ampliação dos vínculos entre o setor de produtos básicos e a economia nacional, a adoção de políticas de gasto de caráter anticíclico que permitam constituir reservas durante os períodos de preços altos e utilizá-las durante os períodos de redução de preços, a geração de valor agregado nas matérias-primas e o investimento em proteção social, saúde e educação.

Clique aqui para acessar o relatório completo (em inglês).


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