Países dependentes de commodities discutem em Genebra formas de adicionar valor à produção

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Com mais de 90 economias em desenvolvimento dependentes das exportações de matérias-primas, de acordo com dados mais recentes da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), construir as capacidades humanas necessárias para adicionar valor aos produtos básicos e oferecer trabalho decente são objetivos-chave a serem discutidos no oitavo Fórum Global de Commodities, que ocorre em Genebra no fim de abril (23 e 24).

Aumentar o valor da cadeia de produção ajudaria os países em desenvolvimento dependentes de commodities a atingir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), segundo a UNCTAD. Foto: EBC

Aumentar o valor da cadeia de produção ajudaria os países em desenvolvimento dependentes de commodities a atingir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), segundo a UNCTAD. Foto: EBC

Com mais de 90 economias em desenvolvimento dependentes das exportações de matérias-primas, de acordo com dados mais recentes da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), construir as capacidades humanas necessárias para adicionar valor aos produtos básicos e oferecer trabalho decente são objetivos-chave a serem discutidos no oitavo Fórum Global de Commodities, que ocorre em Genebra no fim de abril (23 e 24).

Aumentar o valor da cadeia de produção ajudaria os países em desenvolvimento dependentes de commodities a atingir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), particularmente o ODS 4, que prevê educação profissional, o ODS 8, que aborda o trabalho decente para todos, e o ODS 9, que trata do desenvolvimento industrial.

“A falta de trabalhadores qualificados dissuade o investimento em atividades de valor agregado, o que, por sua vez, limita os incentivos para jovens adultos adquirirem mais habilidades”, disse o chefe de commodities e de divulgação da UNCTAD, Yanchun Zhang.

“Os trabalhadores que buscam carreiras em campos qualificados frequentemente optam por buscar educação e empregos no exterior, alimentando a fuga de cérebros nos países em desenvolvimento e dissuadindo ainda mais os investimentos em desenvolvimento industrial. É um ciclo vicioso.”

Calibrar programas de capacitação para as necessidades dos empregadores pode ser complicado. Por exemplo, o governo da República do Congo estabeleceu parceria com a petroleira Total para estabelecer programas de mestrado em engenharia e geologia.

Embora tenham produzido um fluxo estável de graduados, o emprego congolês no setor petrolífero tem desempenho inferior às expectativas, e os empregadores continuam reclamando da escassez de trabalhadores qualificados, bem como de uma incompatibilidade entre suas necessidades e a formação que os graduados recebem.

Os temas a serem considerados nos painéis de discussão e debates abertos durante os dois dias de evento são: competências para a diversificação comercial e econômica; criação sustentável de empregos nas indústrias extrativas e além; treinamento multi-habilidade para adicionar valor à agricultura; transição de energia e gás natural e a desigualdade de habilidades; alterando as exigências de habilidades no setor de mineração.

Muitos países em desenvolvimento agregam pouco valor às commodities ou as transformam em produtos acabados ou semiacabados, e lutam para diversificar em outros setores manufatureiros, o que limita a industrialização de suas economias.

Esses países dependem de exportações de produtos não processados, como produtos agrícolas, minérios ou petróleo bruto, que representam 60% ou mais do valor total de suas exportações de mercadorias.

Os números da UNCTAD mostram que, em 61 desses países, mais de 80% da atividade econômica depende das exportações de commodities, com severas conseqüências econômicas, ambientais e sociais, não apenas devido aos preços voláteis que atrapalham a gestão macroeconômica.

Na maioria dos países em desenvolvimento, a agricultura é predominantemente empreendida em pequenas fazendas intensivas em trabalho que empregam técnicas manuais e oferecem poucas perspectivas industriais.

Os setores mineral e de óleo e gás geralmente fornecem aos países em desenvolvimento alguma transferência de tecnologia e de empregos qualificados, por exemplo, relacionados à infraestrutura usada para extrair petróleo bruto ou transportar gás natural. No entanto, nas cadeias de valor agrícolas e de minerais, as atividades de valor agregado geralmente oferecem o maior potencial para o desenvolvimento tecnológico e de capital humano.

Aumentar a cadeia de valor requer intervenção, como visto na Etiópia, que oferece incentivos para investir em seu setor de processamento agrícola, ou na Indonésia, que impôs uma proibição de exportação de níquel e bauxita para forçar a construção de fundições no país.

Estratégias horizontais de diversificação envolvem a alavancagem de habilidades e de recursos no setor de commodities para desenvolver indústrias de não commodities como, por exemplo, o Irã, que está usando receitas e engenheiros de seu setor petrolífero para desenvolver a fabricação de máquinas agrícolas para exportação, equipamentos médicos e sistemas de irrigação de estufa.

Primeiramente realizado em 2010, o Fórum Global de Commodities fornece uma plataforma de alto nível, neutra e livre para discutir questões relacionadas à produção e comércio de commodities, com foco nos países em desenvolvimento. Pretende gerar parcerias e políticas inovadoras para líderes de governo, setor privado e sociedade civil.


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