Países das Américas se comprometem a garantir segurança alimentar no continente

Em encontro virtual apoiado pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e a Agricultura (FAO), ministros de países das Américas, incluindo o Brasil, reafirmaram que tomarão medidas nacionais e regionais para garantir a segurança alimentar e nutricional no continente, que está em risco com a pandemia de COVID-19 e a crise econômica.

Um dos pontos do compromisso prevê fortalecer a produção de alimentos, produtos florestais e agrícolas, pesqueiros e provenientes da aquicultura nos países das Américas, que disseram estar convencidos do papel estratégico do setor agroalimentar para a recuperação econômica.

Ambiente regional de alimentos disponibilizou produtos ultra processados em todos os lugares e a preços mais baixos do que os alimentos nutritivos: população mais pobre fica mais vulnerável. Foto: FAO Américas.

Após a reunião, ministros emitiram posição detalhando como irão agir individualmente e em conjunto para garantir a segurança alimentar e nutricional dos países das Américas. Foto: FAO Américas

Países das Américas, incluindo o Brasil, reafirmaram que tomarão medidas nacionais e regionais para garantir a segurança alimentar e nutricional no continente, que está em risco com a pandemia de COVID-19 e a crise econômica.

Ministros e secretários de Agricultura, Pecuária, Pesca, Alimentação e Desenvolvimento Rural participaram na segunda-feira (13) de um evento virtual promovido pelo Secretário de Agricultura e Desenvolvimento Rural do México, Víctor Villalobos.

O encontro teve apoio do Instituto Interamericano de Cooperação Agrícola (IICA) e da Organização das Nações Unidas para Alimentação e a Agricultura (FAO).

Após a reunião, eles emitiram uma posição detalhando como irão agir individualmente e em conjunto para garantir a segurança alimentar e nutricional.

Um dos pontos do compromisso prevê fortalecer a produção de alimentos, produtos florestais e agrícolas, pesqueiros e provenientes da aquicultura nos países das Américas, que disseram estar convencidos do papel estratégico do setor agroalimentar para a recuperação econômica.

Os ministros também concordaram em fortalecer as medidas e protocolos sanitários que protegem a saúde das pessoas e a saúde agrícola, sem prejudicar o fluxo adequado de alimentos.

Outro ponto de acordo foi manter o bom funcionamento dos mercados internacionais e nacionais e cadeias de suprimentos locais, por meio do intercâmbio de informações sobre disponibilidade, demanda e preços de alimentos.

Também disseram continuar promovendo a participação de pequenas e médias empresas nas cadeias agroalimentares, no decorrer da pandemia e no período de reativação econômica, por meio de políticas públicas, investimentos públicos e privados e gestão de financiamento preferencial.

Finalmente, reafirmaram a cooperação técnica internacional, por meio de organizações especializadas como o IICA e a FAO, para complementar os esforços de inovação, inclusão e sustentabilidade agrícola e rural.

Clique aqui para acessar o documento completo (em espanhol).

As autoridades agrícolas destacaram o trabalho conjunto entre países, organizações internacionais e agências de cooperação.

“Devemos manter o intercâmbio de informações, produtos, medidas de saúde agrícola, a continuidade dos mercados e o apoio necessário às pequenas e médias empresas, com a clara intenção de ter elementos para a recuperação econômica após a pandemia, mas também a médio e longo prazo” , disse Víctor Villalobos.

O secretário de Agricultura dos Estados Unidos, Sonny Perdue, afirmou que “o restante do mundo deve olhar para o relacionamento que temos nas Américas, como um exemplo de que a cooperação funciona para todos”.

Ele acrescentou que seu país está comprometido em manter a cooperação com todos os seus parceiros comerciais e pediu para evitar a imposição de medidas que restrinjam a troca de produtos, sem a devida justificativa científica.

“O comércio agrícola é vital para todos os cidadãos, gera empregos, aumenta a renda e fornece alimentos seguros e de alta qualidade. Além disso, é vital manter as fronteiras abertas para os trabalhadores estrangeiros, mantendo sua segurança, pois eles são essenciais e merecem ser tratados dessa maneira “, disse a ministra da Agricultura do Canadá, Marie Claude Bibeau.

A ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento do Brasil, Tereza Cristina, disse que o setor agrícola está sob grande pressão para manter o suprimento de alimentos, mas continua demonstrando sua resiliência.

“A recuperação estará associada ao setor agrícola, mas precisamos melhorar as condições no campo, onde a pobreza do mundo está concentrada. Não podemos voltar à situação que estávamos antes da pandemia, teremos que evoluir para um sistema mais justo que não recompense a ineficiência.”

Para o ministro da Agricultura, Silvicultura, Pesca e Transformação Rural de São Vicente e Granadinas, Saboto Caesar, existe a necessidade de maior cooperação técnica para transformar a base econômica dos países do Caribe, hoje muito focada no turismo e fortemente atingida pela pandemia. “Devemos ter novas formas de cooperação, multilaterais e bilaterais.”

Segundo o ministro da Agricultura do Chile, Antonio Walker, “se não tivéssemos colaboração internacional, muitos dos habitantes de nossa região não seriam capazes de se alimentar”.

“Todos os países tomaram muitas medidas. No Chile, avançamos na certificação eletrônica e criamos um comitê para o fornecimento seguro de alimentos, com a participação da agricultura familiar camponesa até o consumidor final. Eles incluem agricultores, transportadores, mercados atacadistas, varejistas, supermercados e feirantes.”

Espírito de cooperação regional

O representante regional da FAO para a América Latina e o Caribe, Julio Berdegué, e o diretor geral do IICA, Manuel Otero, também participaram da reunião virtual de ministros, que concordaram que o setor agroalimentar pode ser um motor para a recuperação econômica necessária pós-pandemia.

Segundo Otero, o trabalho conjunto na região deve ser acompanhado de medidas concretas para alcançar a posição dos ministros.

“Sempre, e especialmente nessa situação dramática, o setor de agricultores familiares deve ser uma prioridade; bem como a dos profissionais de saúde ou agentes de segurança pública. Precisamos de uma revolução agrícola digital na agricultura familiar e podemos fazê-la, porque a tecnologia para isso hoje tem um baixo custo e um alto retorno comprovado. É o setor mais relevante para a segurança alimentar.”

Berdegué disse que é necessário reduzir as desigualdades na América Latina e no Caribe, aumentadas pela COVID-19: “A fome cresceu para 47,7 milhões de pessoas em 2019 e a expectativa é de aumentar para quase 67 milhões até 2030, sem considerar o impacto da pandemia.”

“Além disso, nossa região é a mais cara em todo o planeta para que uma pessoa possa ter uma dieta saudável, com um custo de quase 4 dólares por pessoa ao dia. Somos uma região fabulosamente produtora, mas uma dieta saudável está além do alcance de quase 104 milhões de indivíduos.”

A reunião virtual de 13 de julho foi a segunda reunião hemisférica realizada este ano, ambas organizadas pela FAO e pelo IICA. A primeira foi em 23 de abril, convocada pelo ministro da Agricultura do Chile, Antonio Walker. Uma próxima reunião desse tipo seria realizada em outubro.