Países das Américas reafirmam compromisso em lutar contra epidemia de obesidade infantil

Segundo OPAS/OMS, é essencial evitar alimentos ultraprocessados, que estão fortemente associados a sobrepeso, obesidade e doenças crônicas não transmissíveis. Foto: EBC

Representantes de 14 países das Américas reunidos em Brasília reafirmaram na terça-feira (4) seu compromisso em combater a epidemia de obesidade infantil. Delegações expressaram interesse em prorrogar um plano da ONU sobre o tema, com vigência até 2019. Estratégia prevê medidas como a taxação de alimentos pouco saudáveis e a regulação do marketing e da rotulagem de bens alimentícios.

Em todo o mundo, o número de crianças e adolescentes obesos, com idade de cinco a 19 anos, aumentou dez vezes nas últimas quatro décadas. Em 1975, esse grupo representava menos de 1% dos jovens nessa faixa etária – o equivalente a 5 milhões de meninas e 6 milhões de meninos. Em 2016, existiam 50 milhões de meninas e 74 milhões de meninos obesos, representando, respectivamente, em torno de 6% e 8% da população total de crianças e adolescentes de acordo com o gênero.

Também em 2016, outros 213 milhões de jovens de cinco a 19 anos de idade estavam com sobrepeso.

Segundo um estudo liderado em 2017 pelo Imperial College London e pela Organização Mundial da Saúde (OMS), se as tendências atuais continuarem, haverá mais crianças e adolescentes com obesidade do que com desnutrição moderada e grave até 2022.

Para enfrentar esse problema no nível regional, o Ministério da Saúde do Brasil e a Organização Pan-America da Saúde (OPAS) – braço regional da OMS – promoveram nesta semana um encontro com representações de 14 países. Participaram oficiais do Brasil, Argentina, Belize, Bolívia, Canadá, Chile, Colômbia, Costa Risca, Equador, Granada, México, Panamá, Peru e Uruguai, além de membros da academia e sociedade civil.

As delegações reiteraram a importância do Plano de Ação da OPAS para a Prevenção da Obesidade em Crianças e Adolescentes 2014-2019. Os representantes nacionais também indicaram que uma extensão da estratégia favoreceria a implementação de ações que requerem mais tempo para serem concretizadas.

O plano apresenta cinco linhas de atuação, incluindo atenção primária à saúde e promoção do aleitamento materno e da alimentação saudável, a melhoria dos ambientes de nutrição e da atividade física escolar, políticas fiscais e regulamentação do marketing e da rotulagem de alimentos.

De acordo com Fábio Gomes, assessor regional de Nutrição e Atividade Física da OPAS, vários países das Américas estão buscando formas de estimar o impacto de medidas regulatórias na redução de doenças crônicas não transmissíveis.

“Por isso estamos desenvolvendo ferramentas de simulação de impostos sobre bebidas açucaradas, que permitirão aos países, por exemplo, trabalhar com distintas estruturas fiscais e valores de impostos, bem como os impactos na redução de vendas, entre outros”, afirmou o especialista.

O intercâmbio entre as nações sobre iniciativas voltadas para o tema foi um dos pontos elencados como prioridade para os próximos anos. Segundo Gomes, “a publicação de experiências exitosas realmente inspira outros países e os auxilia a entender não apenas seu impacto, mas qual o melhor caminho para ter sucesso”.

O encontro regional teve a participação da OPAS, do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e do Centro de Excelência da ONU contra a Fome.