Países das Américas anunciam plano para suprir déficit de 800 mil profissionais de saúde

Hospital Docente de Calderón, em Quito, no Equador. Foto: OPAS

Autoridades das Américas anunciaram na terça-feira (25) um plano para acabar com o déficit de profissionais na área da saúde. Atualmente, o continente carece de 800 mil trabalhadores no setor para atender à população. Nova estratégia enfatiza necessidade de investimentos públicos, além de defender incentivos e melhorias trabalhistas para carreiras na área.

“O plano aprovado hoje oferece um mapa (não só) para combater a escassez de pessoal, mas também para alcançar a sua distribuição igualitária e melhorar a qualidade profissional”, afirmou a diretora da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), Carissa Etienne. O marco foi aprovado em Washington durante reunião do Conselho Diretivo da OPAS.

O documento oferece orientações para que países aprimorem suas políticas de recursos humanos para a saúde. Uma das recomendações é fortalecer a governança e os investimentos públicos do setor, além de melhorar a oferta e as condições de trabalho, sobretudo no primeiro nível de atenção em saúde, nas áreas rurais e sub-atendidas. Outra medida sugerida é a implementação de incentivos e políticas de retenção, para evitar a evasão de profissionais. O problema afeta especialmente os países do Caribe.

O marco também orienta os Ministérios a melhorar suas capacidades de prever demandas por profissionais em saúde. Objetivo é promover a formulação de estratégias a longo prazo. Com isso, a OPAS e as autoridades de seus Estados-membros esperam alcançar a meta da ONU de saúde universal até 2030.

O texto ressalta ainda a importância da educação permanente dos médicos, clínicos, enfermeiros e outros trabalhadores. Segundo o documento, muitas vezes, as equipes não têm o perfil ou a formação adequada para atuar com uma perspectiva intercultural e de gênero, em consonância com as necessidades da população.

O plano propõe que sejam estabelecidas parcerias com o setor de educação, a fim de formar profissionais de acordo com as lacunas dos sistemas de saúde. A estratégia também pede o reconhecimento de qualificações sociais dos clínicos e não apenas das suas competências técnico-científicas. De acordo com o texto, países devem elaborar planos de capacitação para especialidades prioritárias, com vistas a aumentar a oferta de atendimento em saúde familiar e comunitária.