Países da ONU firmam compromisso para melhorar saúde de 3 bilhões de pessoas até 2023

Metas firmadas junto à Organização Mundial da Saúde (OMS) visam garantir que nos próximos cinco anos, 1 bilhão de pessoas sejam incluídas em sistemas de cobertura universal, 1 bilhão de indivíduos estejam mais bem protegidos contra emergências e 1 bilhão de cidadãos tenham saúde e bem-estar melhores. Países também adotaram resoluções específicas sobre atividade física, nutrição, picadas de cobra e doença cardíaca reumática.

Delegações de 194 países se reuniram em Genebra, na sede da OMS, para a 71ª Assembleia Mundial da Saúde. Foto: OMS

Delegações de 194 países se reuniram em Genebra, na sede da OMS, para a 71ª Assembleia Mundial da Saúde. Foto: OMS

Em Genebra para a 71ª Assembleia Mundial da Saúde, delegações de 194 países concordaram na semana passada em levar mais saúde, prevenção e atendimento para 3 bilhões de pessoas até 2023. Metas firmadas junto à Organização Mundial da Saúde (OMS) visam garantir que nos próximos cinco anos, 1 bilhão de pessoas sejam incluídas em sistemas de cobertura universal, 1 bilhão de indivíduos estejam mais bem protegidos contra emergências e 1 bilhão de cidadãos tenham saúde e bem-estar melhores.

Concluído no último sábado (26), o encontro entre representantes dos países-membros da OMS definiu o plano de trabalho da agência da ONU para os próximos cinco anos. Dirigentes também adotaram resoluções sobre temas específicos, como resposta a emergências, saúde digital, cólera, poliomielite, tuberculose, doenças crônicas não transmissíveis, nutrição, atividade física, escassez de medicamentos e vacinas e os altos índices de picadas de cobras.

“A saúde tem o poder de transformar a vida de um indivíduo, mas também tem o poder de transformar famílias, comunidades e nações”, disse o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, durante o encerramento da assembleia.

“O compromisso que testemunhei nesta semana me dá muita esperança e confiança de que, juntos, podemos promover a saúde, manter o mundo seguro e servir os que estão em situação de vulnerabilidade”, acrescentou.

Conheça as resoluções e compromissos aprovados na sede do organismo internacional, na Suíça:

Nutrição

Os delegados renovaram por unanimidade seu compromisso de investir e ampliar as políticas de nutrição para melhorar a alimentação de bebês e crianças pequenas. Segundo avaliação dos próprios Estados-membros, o progresso tem sido lento e desigual para cumprir as metas da Assembleia Mundial da Saúde sobre o tema.

Apesar dos desafios, países identificaram um pequeno avanço na redução da baixa estatura para a idade. O número de crianças com menos de cinco anos que têm esse problema caiu de 169 milhões em 2010 para 151 milhões em 2017.

A OMS está liderando ações para melhorar a nutrição, incluindo uma iniciativa mundial para tornar todos os hospitais amigáveis aos bebês, ampliar a prevenção da anemia em meninas adolescentes e prevenir o sobrepeso entre crianças por meio do aconselhamento sobre alimentação complementar.

Regulamento Sanitário Internacional

Os delegados receberam com satisfação um plano estratégico quinquenal que foi proposto pela OMS para melhorar a resposta a problemas de saúde pública. O Regulamento Sanitário Internacional é um instrumento legal e vinculante para 196 países. Seu objetivo é ajudar os países a prevenir e a responder a situações de risco grave, que têm o potencial de atravessar fronteiras e ameaçar pessoas em todo o mundo.

Em 2017, a OMS registrou um total de 418 ocorrências de saúde pública em seu sistema de gerenciamento. No relatório, a fonte inicial de 136 desses episódios foram agências governamentais nacionais, incluindo Pontos Focais Nacionais do Regulamento Sanitário Internacional.

Saúde digital

Os delegados concordaram com uma resolução sobre saúde digital, que convoca os Estados-membros a priorizar o desenvolvimento e o maior uso das tecnologias na saúde. Ferramentas foram descritas como meio de promover a cobertura universal de saúde e avançar nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas, os ODS.

A OMS terá que desenvolver uma estratégia global sobre saúde digital e apoiar o aumento de escala dessas tecnologias nos países, fornecendo assistência técnica e orientação normativa, monitorando tendências e promovendo as melhores práticas para ampliar o acesso aos serviços de saúde.

A resolução também pede aos governos que identifiquem áreas prioritárias nas quais se beneficiariam da assistência da OMS. Entre os campos de eventual atuação da agência da ONU, estão implementação, avaliação e ampliação de serviços e aplicações de saúde digital, segurança de dados, questões éticas e legais.

Um exemplo de tecnologia de saúde digital já existente é o uso de mensagens de texto de celular para promover mudanças positivas de comportamento, tendo em vista a prevenção e o gerenciamento de doenças como o diabetes.

Picadas de cobra

Os delegados concordaram com uma resolução que visa reduzir o número de pessoas em todo o mundo que morrem ou vivem com problemas físicos ou mentais causados pela picada de cobras. Por ano, 2,7 milhões de pessoas são mordidas por cobras venenosas. De 81 mil a 138 mil pessoas morrem por causa do contato com as substâncias peçonhentas. Para cada indivíduo que morre após uma picada de cobra, outras quatro ou cinco apresentam deficiências como cegueira, mobilidade restrita ou amputação, além de desenvolverem transtorno de estresse pós-traumático.

Reconhecendo a necessidade urgente de melhorar o acesso a soros seguros e eficazes, os delegados chamaram a OMS a acelerar os esforços mundiais para controlar o envenenamento por picadas de cobras.

Atividade física

Os representantes nacionais endossaram o Plano de Ação Mundial da OMS sobre Atividade Física, uma nova iniciativa que busca estimular a prática de exercícios por pessoas de todas as idades. Com isso, a estratégia visa combater doenças crônicas não transmissíveis, incluindo as cardíacas, acidentes vasculares cerebrais, diabetes, câncer de mama e câncer do colo do útero.

Mundialmente, 23% dos adultos e 81% dos adolescentes com idade entre 11 e 17 anos não atendem às recomendações mundiais sobre atividade física. A prevalência da inatividade chega a 80% em algumas populações adultas, influenciadas por mudanças nos padrões de transporte, uso de tecnologia, urbanização e valores culturais.

O objetivo do plano da OMS é reduzir em 15% a ocorrência global da inatividade física entre adultos e adolescentes até 2030.

Tecnologias para pessoas com deficiência ou em dificuldade

Os delegados adotaram uma resolução que chama os países a criar e fortalecer políticas sobre tecnologias assistenciais — como cadeiras de rodas, aparelhos auditivos, andadores, óculos de leitura e próteses de membros. Com essas ferramentas, pessoas com deficiência, idosos ou outros indivíduos com algum tipo de dificuldade são capazes de ter uma vida produtiva e digna, participando da educação, do mercado de trabalho e da comunidade.

A medida também prevê a elaboração de um relatório sobre o tema até 2021. Pesquisa abordará acesso a essas tecnologias e será elaborada pela OMS.

De acordo com a agência da ONU, 1 bilhão de pessoas se beneficiariam de produtos de assistência, um número que aumentará para mais de 2 bilhões até 2050. No entanto, 90% delas não têm acesso a tais ferramentas devido aos altos custos e à falta de disponibilidade.

Febre reumática e doença cardíaca reumática

Os delegados concordaram ainda com uma resolução que pede à OMS o lançamento de uma resposta coordenada para combater a doença cardíaca reumática. O problema afeta cerca de 30 milhões de pessoas a cada ano. Estimativas indicam que, em 2015, a doença deve ter causado 350 mil mortes. A patologia ocorre mais comumente na infância e afeta desproporcionalmente meninas e mulheres.

A doença cardíaca reumática é um problema evitável que se desenvolve a partir da febre reumática aguda. Apesar da disponibilidade de meios efetivos para a prevenção e o tratamento, os casos não diminuíram significativamente nos últimos anos.