Países da OMS concordam em garantir acesso equitativo e oportuno a futura vacina contra o coronavírus

OMS entrega suprimentos médicos para COVID-19 na República Democrática do Congo em abril de 2020. Foto: OMS

A Organização Mundial da Saúde (OMS) concluiu a Assembleia Mundial da Saúde na terça-feira (19), adotando uma resolução que exige uma revisão independente da resposta global à pandemia da COVID-19, incluindo o desempenho da própria agência.

A convenção anual de supervisão da agência de saúde da ONU, realizada pela primeira vez por teleconferência de Genebra nos dias 18 e 19 de maio, concentrou-se intensamente em derrotar o novo coronavírus que infectou mais de 4,7 milhões de pessoas em todo o mundo, causou mais de 316.100 mortes e colocou até mesmo as economias mais robustas em risco.

O evento foi pontuado pela afirmação da Casa Branca de que a OMS não teria agido com rapidez suficiente nos primeiros dias do surto de COVID-19 para conter sua propagação. Em uma carta enviada pelo Twitter na segunda-feira (18) ao chefe da OMS, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, estabeleceu um prazo de 30 dias para a agência de saúde da ONU realizar reformas significativas ou correr o risco de perder recursos.

Resolução sobre vacinas, tratamento, ‘avaliação abrangente’

Pela resolução, aprovada por unanimidade pelos 194 Estados-membros da OMS, o diretor-geral Tedros Adhanom Ghebreyesus foi chamado a identificar rapidamente e fornecer opções para ampliar as capacidades de desenvolvimento, fabricação e distribuição para fornecer acesso a  diagnóstico, tratamentos, medicamentos e vacinas.

De maneira mais ampla, as organizações internacionais foram convidadas a trabalhar em colaboração para desenvolver, testar e ampliar a produção de diagnósticos, tratamentos, medicamentos e vacinas seguros, eficazes, de qualidade e acessíveis para a resposta à COVID-19 – inclusive no licenciamento de patentes para facilitar acesso a eles.

Em suas considerações finais, Tedros disse que o foco da OMS continua sendo combater a pandemia com todas as ferramentas à sua disposição. “Nosso foco é salvar vidas”, disse ele.

Ele se comprometeu a iniciar uma avaliação o mais cedo possível, agradecendo qualquer esforço para fortalecer a segurança global da saúde – e a própria agência. “Como sempre, a OMS continua totalmente comprometida com a transparência, a prestação de contas e a melhoria contínua”, assegurou. “Queremos responsabilidade mais do que ninguém.”

Nem ele nem o secretário-geral responderam na terça-feira (19) diretamente à carta de Trump, com o porta-voz da ONU citando aos jornalistas em Nova Iorque os comentários sobre o trabalho e o valor da OMS em meio à pandemia feitos por António Guterres durante a Assembleia na segunda-feira (18).

Tedros também agradeceu o Comitê Consultivo de Supervisão Independente por sua contínua revisão do trabalho da OMS em emergências de saúde e, em particular, por seu relatório sobre a resposta à COVID-19, publicado na segunda-feira. “Verificar e aprender com as lições está no DNA da OMS”, disse Tedros, observando estar animado com a maneira como os países compartilharam as melhores práticas durante a Assembleia.

“Nunca desistiremos”

Por seu lado, a OMS continuará fornecendo liderança estratégica para coordenar a resposta global, disse ele, oferecendo informações e análises epidemiológicas e mantendo os países atualizados sobre as formas de manter a segurança.

Além disso, a OMS continuará enviando diagnósticos, equipamentos de proteção individual e suprimentos médicos em todo o mundo, reunindo especialistas para fornecer consultoria técnica com base na melhor ciência e conduzindo pesquisas para desenvolver evidências sobre vacinas, diagnósticos e tratamentos.

A COVID-19 “nos roubou as pessoas que amamos”, disse ele, “acabando com meios de subsistência e abalando as fundações do mundo”.

“Também ofereceu um lembrete da oportunidade de criar um futuro comum. A OMS continuará trabalhando – dia e noite – para apoiar os países e populações mais vulneráveis. Nunca desistiremos”, prometeu Tedros. “Que nossa humanidade compartilhada seja o antídoto para nossa ameaça compartilhada.”