Países avançam na eliminação da transmissão vertical de HIV, sífilis, hepatite B e doença de Chagas

Países da América Latina e do Caribe estão avançando em direção à eliminação da transmissão vertical de HIV, sífilis, hepatite B e doença de Chagas, mas os progressos têm sido desiguais, de acordo com um novo relatório da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS).

Em 2017, 20 países e territórios das Américas relataram dados que indicam a eliminação da transmissão vertical do HIV; sete receberam a validação da Organização Mundial da Saúde (OMS). No entanto, estima-se que, a cada ano, 3,5 mil crianças nasçam com HIV ou contraiam o vírus de suas mães na América Latina e no Caribe.

Enfermeiras e médicas avaliam o estado de saúde de um bebê prematuro em Bogotá, na Colômbia. Foto: OPAS

Enfermeiras e médicas avaliam o estado de saúde de um bebê prematuro em Bogotá, na Colômbia. Foto: OPAS

Países da América Latina e do Caribe estão avançando em direção à eliminação da transmissão vertical de HIV, sífilis, hepatite B e doença de Chagas, mas os progressos têm sido desiguais, de acordo com um novo relatório da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS).

Intitulado “New generations free of HIV, syphilis, hepatitis B and Chagas disease in the Americas 2018”, o relatório compila dados de 52 países e territórios das Américas e mostra que, desde 2010, 30,8 mil crianças nasceram sem HIV graças às intervenções para prevenir a transmissão vertical.

“Os progressos para garantir uma geração livre da aids e da sífilis têm sido muito significativos, assim como os esforços para impedir que crianças nasçam com hepatite B e doença de Chagas”, disse a diretora da OPAS, Carissa F. Etienne. “Devemos intensificar e integrar a resposta e ampliar o acesso aos serviços de saúde se quisermos acabar com a transmissão dessas quatro doenças”, acrescentou.

Em 2017, 20 países e territórios das Américas relataram dados que indicam a eliminação da transmissão vertical do HIV; sete receberam a validação da Organização Mundial da Saúde (OMS). No entanto, estima-se que, a cada ano, 3,5 mil crianças nasçam com HIV ou contraiam o vírus de suas mães na América Latina e no Caribe.

A porcentagem de mulheres grávidas na região que realizaram ao menos um teste para conhecer seu status de HIV e daquelas com resultados positivos que tiveram acesso ao tratamento aumentou em comparação com 2010, indo para 73%. No entanto, esses números ainda estão aquém das metas de testagem e tratamento de 95%.

Aumento dos casos de sífilis congênita

De acordo com o novo relatório, 15 países também notificaram em 2017 dados indicando a eliminação da sífilis congênita, sete dos quais receberam a validação da OMS.

Contudo, a publicação detalha que os casos de sífilis congênita estão em ascensão. Em 2017, 37 países registraram mais de 28,8 mil casos, 22% a mais do que em 2016, embora 85% dos casos relatados estejam concentrados em apenas um país da região.

O relatório mostra também outros resultados desiguais. Enquanto a triagem de mulheres grávidas para sífilis diminuiu, o tratamento daquelas que fizeram o teste e tiveram resultado positivo aumentou.

Vacinação, fundamental para prevenir a hepatite B

Os países das Américas vacinam contra a hepatite B há mais de 20 anos, o que facilitou o cumprimento da meta de eliminação da transmissão vertical dessa doença (prevalência regional estimada de hepatite B em crianças de cinco anos de 0,1%). Individualmente, estima-se que vários países também tenham atingido esse objetivo.

No entanto, estima-se que 6 mil crianças contraem o vírus da hepatite B a cada ano na região. Para prevenir essa doença, a OPAS recomenda a aplicação de quatro doses da vacina a todas as crianças com menos de 1 ano, a primeira delas durante as primeiras 24 horas de vida, momento crucial para prevenir a transmissão vertical.

Em 2017, a cobertura vacinal com a terceira dose para crianças menores de um ano foi de 87% e 25 países e territórios introduziram a dose da vacina nas primeiras 24 horas após o nascimento em todos os recém-nascidos. Esta última cobertura aumentou de 61% em 2010 para 76% em 2017 — ainda que esteja abaixo da meta de 95%. É necessário intensificar os esforços para aumentar a cobertura vacinal em crianças.

Transmissão vertical de Chagas é responsável por 20% dos novos casos

Estima-se que, a cada ano, cerca de 9 mil bebês nasçam com a doença de Chagas na América Latina e no Caribe, respondendo por mais de 20% de todos os novos casos na região. No entanto, em 2017, os países notificaram à OPAS apenas 280 novos casos, o que destaca a necessidade urgente de melhorar os sistemas de detecção e notificação.

A triagem da doença de Chagas em mulheres grávidas também varia significativamente, de 7% a 55% nos poucos países que relatam dados. A iniciativa de eliminação da OPAS estabelece a meta de testar ao menos 90% das gestantes e recém-nascidos de mães soropositivas.

“Eliminar a transmissão vertical dessas quatro doenças representa um enorme desafio”, disse Marcos Espinal, diretor do Departamento de Doenças Transmissíveis e Determinantes Ambientais da Saúde da OPAS. “No entanto, a implementação de uma abordagem integrada para tratar esta questão é uma oportunidade para garantir que os avanços para a eliminação sejam equitativos”, acrescentou.

O novo relatório da OPAS é o primeiro a abordar as quatro doenças em conjunto, após a renovação em 2014 de um compromisso assumido em 2010 pelos ministros da Saúde da região para eliminar a transmissão vertical do HIV e da sífilis, que foi ampliado para incluir as duas outras doenças.

A fim de apoiar seus Estados-membros na consecução deste objetivo, a OPAS lançou em 2017 o Marco para a Eliminação da Transmissão Vertical do HIV, Sífilis, Hepatites e doença de Chagas (ETMI-PLUS, em sua sigla em inglês).

Trata-se de um roteiro que delineia estratégias e intervenções voltadas para mulheres antes e durante a gravidez, bem como para puérperas e recém-nascidos, em uma região com 15 milhões de mulheres grávidas por ano e uma alta taxa de pré-natal, mas onde as desigualdades no acesso à saúde persistem e as oportunidades perdidas permanecem, entre e dentro dos países.


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