Países africanos visitam CE para conhecer projetos de desenvolvimento agrário

Projeto Paulo Freire melhora condições de vida de agricultores familiares do Ceará. Foto: Flickr/Orgânicos do Pivas (CC)

Uma delegação de oficiais de países africanos visitou na segunda-feira (10) a Secretaria de Desenvolvimento Agrário (SDA) do Ceará para conhecer e reproduzir experiências do estado no impulso ao desenvolvimento rural sustentável.

Representantes de governos e da sociedade civil de Senegal, Níger e Burkina Faso assistiram a apresentações do Programa de Cisternas e do Projeto Paulo Freire e debateram a implantação de ações.

O Projeto Paulo Freire é uma parceria entre o Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA) e o governo do estado do Ceará, que através da Secretaria de Desenvolvimento Agrário atua em comunidades em situação de pobreza e extrema pobreza no semiárido cearense de modo a fortalecer e desenvolver a agricultura familiar.

“A Secretaria possui um sistema integrado que se organiza através de suas coordenadorias e de três órgãos vinculados (Ematerce, Ceasa e Idace), tendo entre seus programas-âncora os projetos Paulo Freire e São José”, disse o secretário de Desenvolvimento Agrário do Ceará, De Assis Diniz.

“Através deste arranjo institucional, as políticas são concebidas pelos técnicos da Secretaria e são executadas em parceria com a sociedade civil”, completou o secretário.

Em relação ao Programa das Cisternas, ele esclareceu que a política pública teve origem numa campanha da Articulação do Semiárido (ASA Brasil) em defesa da implantação de 1 milhão de cisternas no início do governo Luiz Inácio Lula da Silva.

“O principal impacto desta política se torna visível ao se perceber que o estado do Ceará atravessou sete anos consecutivos de seca sem que a população sofresse de sede”, declarou.

Segundo o balanço apresentado pela assessora técnica Gisely Castro, já foram implantadas 137.117 cisternas de placa de 16 mil litros e 509 cisternas escolares com capacidade de 52 mil litros no estado.

Além disso, a coordenadoria implantou 15.483 cisternas de enxurradas, 1.420 barragens subterrâneas e 287 sistemas de reuso d´água de cinzas domiciliares. O objetivo da tecnologia é garantir o acesso à água para consumo humano a comunidades rurais pobres.

Paulo Freire

“O outro projeto apresentado aqui, financiado com recursos de um empréstimo junto ao FIDA, dialoga com a vida e com a organização das famílias em comunidade”, sintetizou o secretário De Assis.

A iniciativa prevê atender a 600 comunidades rurais com baixo Índice Desenvolvimento Humano (IDH) nas regiões dos Sertões do Cariri, Inhamuns-Crateús e Sobral, priorizando o público jovem, de mulheres, quilombolas, indígenas e pescadores artesanais.

De acordo com balanço apresentado pela supervisora do PPF, Odalea Severo, uma das conquistas do projeto é a implantação e o abastecimento de água de 6.590 cisternas de placa, enxurrada e escolares.

Além disso, já foram realizadas 600 oficinas e seminários de avaliação que envolveram um público de 21.575 participantes sobre temas como Convivência com o Semiárido, Agroecologia, Relações Sociais de Gênero, Juventudes e Raça e Etnia.

A perspectiva é a implementação de 522 projetos produtivos nas áreas de apicultura, artesanato, corte e costura, culinária, galinha caipira, mandiocultura, ovinocaprinocultura, pesca artesanal, quintais produtivos, reuso d´água e suinocultura.

Troca de experiências

Assim como no Brasil, em Burkina Faso o acesso à água potável é uma garantia constitucional e está previsto como um direito humano.

Segundo o secretário-geral da Câmara de Agricultura do país, Bruno Kafando, os principais desafios são as formas de financiamento da política pública e a materialização desse direito através da perfuração de poços, sistemas adutores e estações de tratamento d´água.

“As experiências que estamos conhecendo aqui no Ceará são um acréscimo aos nossos conhecimentos, sobretudo em relação ao que desenvolvemos em comunidades mais isoladas”, disse.

“Hoje, tivemos o primeiro contato essa realidade e pudemos conhecer como são articuladas essas políticas públicas através das iniciativas governamentais e a sociedade civil”, concluiu.