“Padrão de desenvolvimento deve mudar por causa da crise internacional”

Em conferência na CEPAL, a destacada economista brasileira Maria da Conceição Tavares analisou as causas que provocaram a crise e suas consequências na região.

Maria da Conceição Tavares, economista brasileiraEm conferência na CEPAL, a destacada economista brasileira Maria da Conceição Tavares analisou as causas que provocaram a crise e suas consequências na região.

“Não há perspectiva de uma nova ordem internacional por causa da crise. A única coisa que está clara é que o padrão de desenvolvimento que a provocou não pode continuar mais”, apontou Maria da Conceição Tavares, durante uma conferência na sede da Comissão Econômica para América Latina e Caribe (CEPAL), em Santiago, Chile. A Secretária Executiva da CEPAL, Alicia Bárcena, deu as boas-vindas a Tavares, de quem destacou sua personalidade e contribuição para o pensamento econômico latino-americano. “O perfil aguçado das suas ideias, a clareza para identificar o problema real além dos marcos teóricos estabelecidos, a provocadora inteligência dos seus argumentos tem permeado várias gerações de economistas brasileiros e latino-americanos”.

Na conferência Efeitos da crise financeira internacional na América Latina e as lições do Brasil, Maria da Conceição Tavares expôs cada uma das etapas do que chamou “o auge e o declínio da globalização financeira”. Após descrever as causas que levaram à origem da crise nos Estados Unidos em 2007 – que logo depois se expandiria a nível mundial em 2008 e 2009 -, ela refletiu sobre suas principais consequências. “A crise tem criado uma nova ‘desordem’ internacional, onde a situação econômica segue sendo muito instável, com algumas bolhas que voltam a explodir e turbulências financeiras que aparecem em diferentes lugares, como tem acontecido nas últimas semanas na Grécia”, apontou.

Tavares enfatizou que o consumo e o gasto público não devem seguir sendo o motor do crescimento nos países desenvolvidos. “Podem seguir a desordem financeira e a confusão ideológica, mas aquilo que não pode continuar igual é o padrão de desenvolvimento que provocou a crise”, enfatizou. A economista adicionou que os mercados se organizaram numa forma pouco ‘canônica’ ao capitalismo, de uma maneira não sustentável, atrelados a créditos fantasmas e o outros instrumentos prejudiciais, que afetaram o crédito internacional e provocaram uma forte restrição do financiamento.

Em relação à América Latina, Maria da Conceição Tavares reconheceu que a região enfrentou a crise de uma melhor forma que outras partes do mundo, com a queda moderada do crescimento e emprego. Para fomentar uma recuperação mais sólida, enfatizou a necessidade de investimentos em infraestrutura e o estímulo à criação de um sistema público de proteção social de cobertura universal. “Por isso, as propostas que a CEPAL levará a seu trigésimo terceiro período de sessões – que se realizará do 30 de maio a 1 de junho no Brasil – em seu documento A hora da igualdade. Lacunas por fechar, caminhos por abrir, são cruciais. Ali são apresentadas políticas de longo prazo que devem ser aplicadas para caminhar em direção a um desenvolvimento com igualdade”.