Pacto Global da ONU promove em SP festival de cinema sobre população trans

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O Brasil lidera o ranking de países com mais registros de homicídios de pessoas trans — foram 938 de 2008 a 2016. Para debater os desafios dessa população, a Rede Brasil do Pacto Global da ONU e a Assessoria Especial para Assuntos Internacionais (AEAI) do governo de São Paulo promovem neste mês e em julho o festival de cinema TRANSdocumenta.

Bandeira do orgulho trans hasteada em São Francisco, nos Estados Unidos. Foto: Flickr (CC)/torbakhopper

Bandeira do orgulho trans hasteada em São Francisco, nos Estados Unidos. Foto: Flickr (CC)/torbakhopper

O Brasil lidera o ranking de países com mais registros de homicídios de pessoas trans — foram 938 de 2008 a 2016, segundo a ONG Transgender Europe. Os assassinatos e suicídios notificados de pessoas LGBTs no país cresceram 30% entre 2016 e 2017, liderado pelo estado de São Paulo, com 59 mortes, de um total de 387 homicídios, de acordo com o Grupo Gay da Bahia. Para debater os desafios dessa população, a Rede Brasil do Pacto Global da ONU e a Assessoria Especial para Assuntos Internacionais (AEAI) do governo de São Paulo promovem neste mês e em julho o festival de cinema TRANSdocumenta.

De 28 de junho a 9 de julho, a mostra vai exibir oito documentários e filmes de longa e curta-metragem, nacionais e estrangeiros, sobre transexualidade. A iniciativa também promoverá atividades culturais, mesas-redondas, pocket shows e a feira de empreendedores LGBTI+, que acontece no encerramento do festival.

A TRANSdocumenta é parte da agenda “O Mundo Que Queremos”, uma parceria do Pacto Global e da AEAI para comemorar, ao longo de 2018, os 70 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, ratificada por todos os países-membros da ONU em 10 de dezembro de 1948.

A abertura do festival acontece na RedBull Station, em 28 de junho, dia internacional do orgulho LGBTI+. Durante o evento, será apresentada parte da mostra Memórias da Diversidade, do acervo do Museu da Diversidade, com exposição de fotografias e exibição de vídeos que trazem depoimentos sobre transexualidade. Em seguida, será exibido o primeiro curta da TRANSdocumenta, Estamos todos aqui, produzido por Chico Santos e Rafael Mellim. A dupla de produtores estará presente para um bate-papo sobre a obra.

Para o secretário-executivo do Pacto Global, Carlo Pereira, o festival levanta um debate que atravessa os princípios defendidos pela rede de empresas e também os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). “A terceira ação que promovemos no calendário de ‘O Mundo Que Queremos’ traz à luz uma questão que precisa ser insistentemente discutida, não só no âmbito social, mas sob o ponto de vista econômico e de garantia de direitos como saúde, trabalho, educação, reconhecidos pela Declaração Universal e presentes nos ODS.”

O idealizador do projeto e coordenador da Cooperação Internacional na AEAI, Andrey Brito, explica que as pessoas trans não serão tratadas apenas “de forma teórica”, mas “estarão conosco de forma atuante, como participantes”.

A mostra TRANSdocumenta termina em 9 de julho, com a exibição do documentário Meu corpo é político. O encerramento acontece na Tokyo/SP e terá pocket shows e exposições de fotografias. No exterior do museu, o evento promove uma feira da diversidade, com empreendedores LGBT+. Uma das apresentações artísticas será realizada por Rosa Luz, a protagonista do documentário Estamos todos aqui.

Programação
29 de junho (sexta)
Last Chance (Última Chance)
Canadá
Direção: Paulo-Émile d´Entremont
Duração: 84 minutos
Local: ainda a ser confirmado
Horário: a confirmar
Filme será seguido de painel sobre as pessoas trans no mundo dos esportes

30 de junho (sábado)
Transit Havana
Holanda
Direção: Daniel Abma
Duração: 86 minutos
Local: a definir
Horário: a definir

31 de junho (domingo)
Meu corpo é político
Direção: Alice Riff
Duração: 72 minutos
Local: Casa das Rosas
Horário: a definir

05 de julho (quinta-feira)
My Prairie Home (Meu lar nas Pradarias)
Canadá
Direção: Chelsea McMullan
Duração: 77 minutos
Local: Casa da Rosas
Horário: a definir

06 de julho (sexta-feira)
Meu nome é Jacque
Brasil
Direção: Angela Zoé
Duração: 72 minutos
Local: Museu da Diversidade Sexual
Horário: a definir
Seguido de bate-papo com a diretora

07 de julho (sábado)
Auf der anderen Seite (Do outro Lado)
Alemanha
Direção: Fatih Akin
Duração:120 minutos
Local: Museu da Imagem e do Som (MIS)
Seguido de debate

8 de julho (domingo)
Quarto Camarim

Brasil
Direção: Fabrício Ramos e Camele Queiroz
Duração: 101 minutos
Local: Museu da Imagem e do Som (MIS)
Seguido de painel sobre pessoas trans no mundo da arte

Transit Havana
Holanda
Direção: Daniel Abma
Duração: 86 minutos
Local: Museu da Imagem e do Som (MIS)
Horário: a definir

9 de julho (segunda-feira)

Encerramento
Meu corpo é político
Brasil
Local: Tokyo/SP


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