Pacto da ONU com o Governo afegão ajudará a limitar recrutamento e abuso sexual de crianças

Um novo acordo entre o Afeganistão e as Nações Unidas tem a esperança de acabar com o recrutamento de crianças pelas forças armadas e combater o abuso sexual de jovens por parte de comandantes, sobretudo na polícia nacional.

Radhika Coomaraswamy assinando o plano de ação.Um novo acordo entre o Afeganistão e as Nações Unidas tem a esperança de acabar com o recrutamento de crianças pelas forças armadas e combater o abuso sexual de jovens por parte de comandantes, sobretudo na polícia nacional. “Estamos ansiosos para tentar desempenhar um papel importante nesse processo, tanto na verificação e fiscalização como no auxílio ao governo em seu processo de reintegração,” disse a Representante Especial das Nações Unidas para Crianças em Conflitos Armados, Radhika Coomaraswamy, em coletiva de imprensa na sede da ONU, em Nova York. “Acho que podemos fazer um ótimo trabalho acompanhando a situação.”

De acordo com o plano de ação assinado por Coomaraswamy em Cabul, no domingo (30/01), o governo se comprometeu a proteger as crianças afetadas por conflitos armados, impedir o recrutamento de menores para as forças armadas nacionais, reintegrá-los à sociedade civil e acabar com a prática de Bacha-bazi, os chamados “meninos dançarinos”.

“Poderosos senhores da guerra e comandantes regionais de todas as forças de segurança, bem como das forças opositoras do governo, tem meninos que são ensinados a dançar. Eles dançam na frente deles – em algum tipo de festividade – e, em seguida, são explorados sexualmente,” explicou, citando fotografias e outras provas de que a polícia afegã, em especial, estava recrutando menores e usando os meninos como Bacha-bazi.

Ela disse que a equipe da ONU no país vai monitorar a situação. Em abril último, a Polícia Nacional Afegã foi citada em relatório sobre Crianças em Conflitos Armados do Secretário-Geral, Ban Ki-moon. O governo reagiu criando um Comitê Diretor Inter-Ministerial, que desenvolveu o plano de ação.

O plano estabelece vários pontos a serem abordados pelo Governo, como o reforço dos registos de nascimento e mecanismos de verificação de idade, a investigação e a punição de perpetradores do recrutamento de menores e da violência sexual.