‘Ou disputas chegam ao fim no Iêmen ou logo não haverá nada mais pelo que lutar’, adverte ONU

No Conselho de Segurança, chefe humanitário das Nações Unidas, Stephen O’Brien, declarou que escala de sofrimento humano é “incompreensível”, com quatro a cada cinco iemenitas dependentes de ajuda humanitária e quase 1,5 milhão de pessoas deslocadas internamente.

O sub-secretário-geral para a Coordenação de Assuntos Humanitários, Stephen O'Brien (centro), com as autoridades locais em frente à província de Amran, Iêmen, que foi destruída em um ataque aéreo. Foto: OCHA / Philippe Kropf

O sub-secretário-geral para a Coordenação de Assuntos Humanitários, Stephen O’Brien (centro), com as autoridades locais em frente à província de Amran, Iêmen, que foi destruída em um ataque aéreo. Foto: OCHA / Philippe Kropf

Chocado com o que viu em sua recente visita ao Iêmen, o chefe humanitário da ONU, Stephen O’Brien, disse nesta quarta-feira (19) ao Conselho de Segurança que a escala do sofrimento humano é quase incompreensível, e que a menos que as partes interessadas consigam cessas as hostilidades e voltar à mesa de negociação, logo “não haverá mais nada pelo que lutar”.

“A população civil está arcando com o ônus do conflito – impressionantes quatro de cinco iemenitas necessitam de assistência humanitária e quase 1,5 milhão de pessoas estão deslocadas internamente. Mais de mil crianças foram mortas ou feridas e o número de jovens recrutados ou utilizados como soldados está aumentando”, disse o sub-secretário-geral para a Coordenação de Assuntos Humanitários.

Relatando sobre as enormes necessidades da população, ele disse que elas continuam sendo exacerbadas por impedimentos às importações comerciais, resultando em escassez generalizada de alimentos e combustível. Em Áden, onde as pessoas estão sobrecarregadas com a escala da destruição, a tarefa à frente é a reconstrução da cidade “quebrada”, onde explosivos não deflagrados estão espalhados pelas ruas e edifícios. Além disso, a eletricidade, essencial para o bombeamento de água e moagem de cereais, é rara e intermitente.

Neste contexto, a ajuda humanitária por si só não pode satisfazer todas as necessidades de um país inteiro, com uma população de 26 milhões de pessoas. “É por isso que os aeroportos e portos marítimos precisam permanecer abertos e ser utilizados tanto para as importações comerciais quanto para suprimentos humanitários – sem restrições”, argumentou O’Brien.