Oriente Médio: ‘Maior perigo é não encontrar solução para a questão palestina’, afirma chefe da ONU

Em sessão especial no Conselho de Segurança, secretário-geral das Nações Unidas condenou o aumento de ataques de palestinos, mas ressaltou que situação em Gaza e na Cisjordânia é insustentável. Expansão de assentamentos israelenses e falta de oportunidades econômicas para palestinos comprometem compromisso assumido por Israel de solução de dois Estados vivendo lado a lado.

Colona e soldado israelenses em um assentamento na Cisjordânia. Foto: IRIN/Andreas Hackl

Colona e soldado israelenses em um assentamento na Cisjordânia. Foto: IRIN/Andreas Hackl

“Um acordo duradouro exigirá compromissos difíceis por ambos os líderes israelense e palestino”, disse o secretário-geral da ONU ao Conselho de Segurança nesta terça-feira (26) dando início a uma jornada de discussões sobre o conflito no Oriente Médio. Ban Ki-moon usou a ocasião para pedir às partes que reassumam o compromisso da solução de dois Estados “antes que seja tarde demais”.

“Alguns podem dizer que a volatilidade atual em toda a região torna muito arriscado buscar a paz. Eu digo que o maior perigo é não encontrar uma solução para a questão palestina. Alguns dizem que ambos os lados estão entrincheirados em suas respectivas posições. Eu digo que não podemos sucumbir à passividade, resignação e falta de esperança que uma resolução abrangente para o conflito não é possível”, disse.

O chefe da ONU criticou os ataques unilaterais de ambas partes, que, segundo ele, “são intencionalmente desenhados para prejudicar as negociações e provocar o outro lado.” Nesta linha, condenou os esfaqueamentos, atropelamentos propositais e tiros de palestinos contra israelenses e destacou que os confrontos entre palestinos e as forças de segurança de Israel continuam a fazer vítimas.

No entanto, frisou que as medidas de segurança, apenas, não serão suficientes para deter a violência. “Elas não podem responder ao profundo sentimento de alienação e desespero que move muitos palestinos, especialmente os mais jovens”, disse, sublinhando que a força da lei deve ser aplicada por igual a todos aqueles que cometem crimes, tanto israelenses como palestinos.

Em seu discurso, Ban também abordou o isolamento cada vez maior do governo de Israel e a deterioração das condições humanitárias em Gaza, bem como o acúmulo de pressão que poderia levar a uma nova guerra. Na ocasião, destacou, no entanto, que encorajar o direito palestino de autodeterminação não significa questionar o direito de Israel de existir.

Expansão de assentamento impede compromisso de paz

Ele observou que a ocupação e a opressão muitas vezes servem como uma incubadora para o ódio e o extremismo. Citando a situação na Cisjordânia, afirmou que os avanços dos assentamentos israelenses comprometem a viabilidade do Estado Palestino e a habilidade do seu povo de viver dignamente. Para isso, disse Ban, é essencial mudar as políticas israelenses, especialmente relacionadas a área controlada C, que engloba 61% do território da Cisjordânia e hoje é o lar de 300 mil palestinos.

“Progresso em direção à paz requer o congelamento do empreendimento de assentamentos israelenses. A continuação das atividades de assentamento é uma afronta ao povo palestino e a comunidade internacional. E eles, certamente, levantam questões sobre o compromisso de Israel sobre a solução de dois Estados”, disse.

O relato de planos de Israel para a construção de novas 150 residências nos assentamentos ilegais na Cisjordânia e a declaração de 370 acres ao sul de Jericó como “terreno do Estado” apenas exacerbarão ainda mais as tensões e minarão qualquer projeto político, afirmou o chefe da ONU.

Sobre Gaza, Ban salientou que 18 meses após a última guerra entre Israel e o Hamas a situação humanitária continua complicada. Ele condenou o lançamento de foguetes em direção a Israel pelos grupos militantes e ressaltou que as condições de Gaza continuam a representar uma grave ameaça para alcançar a paz e segurança duradoura na região, lembrando a situação crítica de desemprego, abastecimento de água e eletricidade da população. Dentro deste contexto, pediu a reunificação da Cisjordânia e Gaza sob uma única autoridade legítima palestina.

Ao concluir, o secretário-geral lembrou que em um momento de terrorismo extremo, israelenses e palestinos têm a oportunidade de restabelecer a esperança em uma região devastada pela intolerância e crueldade. “Insto que aceitem esse desafio histórico pelo mútuo interesse pela paz”, disse Ban, convocando a comunidade internacional a mostrar, uma vez mais, seu compromisso em restabelecer a confiança entre palestinos e israelenses.