Organizações de saúde precisam traduzir compromissos com igualdade de gênero em ações, diz relatório

Sede das Nações Unidas em Nova Iorque. Foto: ONU/Rick Bajornas

Lançado às vésperas do Dia Internacional da Mulher, 8 de março, um relatório sobre a igualdade de gênero em organismos internacionais da área de saúde pede que os compromissos de muitas instituições sejam traduzidos em ações concretas. A pesquisa, que avaliou agências da ONU, mostra que sete em cada dez organizações globais do setor já afirmaram publicamente estar engajadas com a paridade entre homens e mulheres — mas apenas metade possui, de fato, políticas para o tema.

De acordo com o levantamento Saúde Global 50/50, financiado pelo Fundo Wellcome, menos de um terço das 198 organizações avaliadas possui o mesmo número de mulheres e de homens no nível sênior de gestão. Em média, os homens têm 50% mais chances do que as mulheres de chegar a um cargo sênior, e 72% dos diretores-executivos das instituições analisadas são homens. Em dez organismos, não foi encontrada nenhuma mulher numa posição de nível sênior.

O relatório mostra ainda que apenas um quarto dos membros de conselhos diretores são mulheres. Segundo a pesquisa, homens têm duas vezes mais chances de chegarem a essas instâncias de decisão.

A pesquisa aponta que somente 32% das instituições divulgam em meio online as suas políticas para lidar com assédio sexual. Das quase 200 organizações analisadas, apenas 25 receberam as pontuações mais altas possíveis sobre os elementos que o relatório considera importantes para uma estratégia abrangente sobre esse tipo de violação.

As instituições analisadas incluem entidades de dez setores distintos de saúde, com sede em 28 países em todo o mundo. Juntos, esses organismos empregam cerca de 4,5 milhões de pessoas.

No ranking geral sobre a promoção da diversidade e da igualdade de gênero no ambiente de trabalho, a ONU Mulheres, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) foram classificados entre os 14 organismos com pontuações muito altas. Já o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS) entrou na lista de outras 17 organizações com pontuação alta.

No entanto, o relatório salienta que, mesmo entre os organismos que têm bom desempenho, ainda há a necessidade urgente de as organizações cumprirem e aplicarem as suas políticas de igualdade, não discriminação e inclusão.

Em discurso no evento de lançamento do relatório, realizado na Etiópia, o diretor-executivo do UNAIDS, Michel Sidibé, afirmou que “é uma afronta que, em média, as mulheres ganhem 20% menos que os homens sem nenhuma razão além do gênero”.

“As mulheres continuam a ser deixadas para trás e são mais propensas a sofrer assédio, discriminação e progressão de carreira mais lenta”, disse o chefe do programa, que enfatizou que alcançar a igualdade de gênero é uma questão de justiça social.

Sidibé afirmou que o UNAIDS fez progressos na igualdade de gênero, mas reconheceu que há mais a ser feito. O dirigente disse que a instituição aumentou a proporção de diretores nacionais que são mulheres — de 26% em 2013 para 48% atualmente.

O chefe da instituição também lembrou a adoção de uma política única de licença parental e a expansão do Programa de Liderança do UNAIDS para todas as mulheres da organização. Essas medidas, segundo Sidibé, são exemplos de seu compromisso em alcançar a igualdade entre homens e mulheres.

A presidente da Etiópia, Sahle-Work Zewde, foi a oradora principal da cerimônia de divulgação do relatório e ressaltou a necessidade de promover a liderança feminina para implementar políticas e programas em igualdade de gênero. A etíope é a primeira mulher chefe de estado do seu país e atualmente a única mulher chefe de estado em toda a África.