Organizações buscam apoio urgente a refugiados e migrantes da Venezuela em meio à pandemia

Desde o surgimento da COVID-19, refugiados e migrantes da Venezuela agora enfrentam uma miríade de desafios, incluindo a perda de meios de subsistência, despejos e o aumento da estigmatização. Foto: OIM Brasil/Bruno Mancinelle

Com a pandemia da COVID-19 ameaçando a segurança e o futuro de milhões de refugiados e migrantes da Venezuela e de suas comunidades anfitriãs, mais de 150 organizações que trabalham em 17 países da América Latina e no Caribe estão apelando à comunidade internacional para um aumento urgente de apoio.

Desde o surgimento da COVID-19, refugiados e migrantes venezuelanos enfrentam uma série de desafios, incluindo a perda de meios de subsistência, despejos e o aumento da estigmatização.

Muitos não conseguem acessar instalações básicas de saúde e higiene e cumprir medidas de distanciamento físico. Aqueles que vivem em situação irregular e sem documentação também correm o risco de ficar de fora dos programas nacionais de saúde e bem-estar social.

“O coronavírus está pressionando nossas sociedades de maneiras que nunca poderíamos imaginar. Para os refugiados e migrantes venezuelanos, a pandemia os expõe a dificuldades ainda maiores, já que muitos estão lutando para sobreviver fora de casa”, disse Eduardo Stein, representante especial conjunto de Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) e Organização Internacional para as Migrações (OIM) para refugiados e migrantes da Venezuela.

“Os venezuelanos de toda a região agora enfrentam fome, falta de acesso a assistência médica, perspectivas de falta de moradia e xenofobia.”

Cada vez mais vulneráveis, muitos também correm risco de exposição à violência de gênero, estigmatização, exploração e abusos.

Em resposta, as organizações humanitárias revisaram o Plano Regional de Resposta a Refugiados e Migrantes (RMRP), lançado em novembro de 2019. Este plano regional de 1,35 bilhão de dólares priorizou atividades para atender às necessidades mais prementes de proteção, salvamento e integração de refugiados e migrantes da Venezuela. Os requisitos atualizados do RMRP agora somam 1,41 bilhão de dólares, um terço destinado a atividades específicas da COVID-19.

Os recursos apoiarão refugiados e migrantes em situações extremamente precárias, especialmente aqueles que precisam urgentemente de comida, abrigo e serviços de saúde. Também apoiarão o fornecimento de equipamentos de proteção individual e atividades destinadas a dar informações vitais sobre a pandemia e os serviços disponíveis.

O RMRP complementa os esforços que os governos da região fizeram para aliviar as necessidades das comunidades anfitriãs. A inclusão de refugiados e migrantes nas respostas e programas nacionais – desde a entrega de bens básicos e alimentos, medidas de bem-estar social e esforços destinados a deter os despejos – tem sido vital.

Dadas as medidas de distanciamento social em toda a região, a entrega de muitas atividades no plano de resposta foi ajustada para fornecer assistência por meio de modalidades remotas, inclusive por meio de assistência aprimorada baseada em dinheiro.

Outras atividades priorizadas incluem o estabelecimento de unidades móveis de saúde para o teste e encaminhamento de casos de COVID-19 e a melhoria de abrigos com espaçamento físico adequado e melhores condições sanitárias.

Isso se soma à prestação de apoio técnico às autoridades nacionais para complementar seus esforços na resposta à COVID-19 e ao estabelecimento de sistemas de alerta precoce e mecanismos de resposta rápida para conter a propagação da pandemia entre refugiados e migrantes.

Fundamentalmente, refugiados e migrantes, independentemente de seu status, precisam ser incluídos nas respostas nacionais de saúde.

“Enquanto a pandemia da COVID-19 ainda não atingiu seu pico na América Latina, os serviços públicos de saúde sobrecarregados continuarão sendo desafiados nos próximos meses. Instamos a comunidade internacional a fornecer generosamente apoio por meio desse plano de resposta revisado”, afirmou Stein.

O plano de resposta regional para os venezuelanos permanece perigosamente subfinanciado. Até o momento, apenas 4% dos fundos necessários foram atendidos.

Para apoiar o trabalho amplamente subfinanciado das 151 organizações que fazem parte da Plataforma Regional de Coordenação entre Agências (R4V), será realizada uma Conferência de Compromisso virtual no final do mês.

A coordenação da resposta humanitária, de proteção e integração para refugiados e migrantes da Venezuela é realizada através da R4V. Dentro dessa estrutura e em um esforço coordenado, o RMRP faz parte do Plano de Resposta Humanitária Global COVID-19 atualizado, publicado pelo secretário-geral da ONU no início deste mês.

Clique aqui para acessar mais informações sobre o plano de resposta revisado.

O RMRP, incluindo sua revisão relacionada à COVID-19, está disponível no site da Plataforma Regional de Coordenação entre Agências: R4V.info.