Organização confirma resultados do Reino Unido sobre substância de ataque contra ex-espião russo

O Escritório das Nações Unidas para Assuntos de Desarmamento (UNODA) disse ao Conselho de Segurança, na última quarta-feira (18), que uma equipe técnica enviada pela Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ) ao local de um suposto ataque químico na cidade britânica de Salisbury identificou agentes tóxicos consistentes com a investigação inicial do Reino Unido.

O Reino Unido disse que o químico em questão é o agente neurotóxico Novichok, e que é “altamente provável” que a Rússia esteja por trás de seu uso no incidente de 4 de março, que feriu seriamente o ex-espião russo Sergei Skripal, sua filha Yulia e um policial. A Rússia negou firmemente a acusação.

Inspetores da OPAQ em uma sessão de treinamento. Foto: EBC

Inspetores da OPAQ em uma sessão de treinamento. Foto: EBC

O Escritório das Nações Unidas para Assuntos de Desarmamento (UNODA) disse ao Conselho de Segurança, na última quarta-feira (18), que uma equipe técnica enviada pela Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ) ao local de um suposto ataque químico na cidade britânica de Salisbury identificou agentes tóxicos consistentes com a investigação inicial do Reino Unido.

“A equipe de visita de assistência técnica da OPAQ observou que o produto químico tóxico em questão era de alta pureza”, disse Izumi Nakamitsu, alta representante da ONU para Assuntos de Desarmamento.

A declaração da OPAQ não citou o nome da substância, mas disse que os especialistas técnicos confirmaram as descobertas do Reino Unido “relacionadas à identidade do produto químico tóxico que foi usado em Salisbury e feriu gravemente três pessoas”.

O Reino Unido disse que o químico em questão é o agente neurotóxico Novichok, e que é “altamente provável” que a Rússia esteja por trás de seu uso no incidente de 4 de março, que feriu seriamente o ex-espião russo Sergei Skripal, sua filha Yulia e um policial.

A Rússia negou firmemente a acusação. Skripal havia sido acusado anos antes pelo pelo serviço de segurança russo de atuar como agente duplo e passar informações classificadas para MI6, o serviço secreto britânico, mas foi posteriormente anistiado.

Uma equipe de especialistas da OPAQ foi enviada ao Reino Unido, a pedido do país, buscando assistência técnica para identificar a natureza do produto químico tóxico supostamente usado.

A equipe coletou amostras de sangue dos três indivíduos, bem como amostras ambientais do local.

O relatório da OPAQ sobre sua descoberta foi entregue ao Reino Unido e, a pedido do país, aos Estados-partes da Convenção sobre Armas Químicas de 12 de abril. Um resumo público do relatório pode ser encontrado no site da organização.

No debate de quarta-feira, a terceira vez em que o Conselho de Segurança da ONU se reuniu para discutir a questão, Karen Pierce, representante permanente do Reino Unido junto à ONU, reconheceu que Skripal era um ex-oficial de inteligência condenado por espionagem em 2006, o que provavelmente fez dele um alvo da Rússia.

Ela também disse que “não há explicação alternativa plausível a não ser a responsabilidade do Estado russo pelo que aconteceu em Salisbury”.

No começo de abril, o embaixador russo na ONU, Vassily Nebenzia, acusou o Reino Unido de se engajar em um “teatro do absurdo”, e questionou por que a Rússia perpetuaria tal ataque oito anos depois de anistiar o ex-espião, antes das eleições presidenciais russas e da Copa do Mundo de 2018.