Organização britânica vence prêmio da UNESCO por sustentabilidade nas universidades

A organização britânica União Nacional dos Estudantes (NUS, na sigla em inglês) foi uma das vencedoras de prêmio da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) e do governo japonês por seu programa de promoção da sustentabilidade em 600 faculdades e universidades do país.

Homens instalam caixas para proteger ninhos de passarinho na University College London. Foto: Evan Landy/NUS-UK

Homens instalam caixas para proteger ninhos de passarinho na University College London. Foto: Evan Landy/NUS-UK

A organização britânica União Nacional dos Estudantes (NUS, na sigla em inglês) foi uma das vencedoras de prêmio da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) e do governo japonês por seu programa de promoção da sustentabilidade em 600 faculdades e universidades do país.

O programa tem 10 anos de existência e já realizou mais de 250 mil ações ecológicas. Tais ações podem ser tanto imediatas quanto de longo prazo. Um exemplo: os laboratórios de química da University College London simplificaram a maneira como seus inventários e pedidos são gerenciados, economizando cerca de 90 mil libras por ano.

Outro exemplo é a Universidade de Sheffield, que estimulou os estudantes a caminhar ou pedalar para as aulas, recompensando-os com cafés da manhã gratuitos. Um terceiro exemplo: na King’s College de Londres, guardas patrulham edifícios em busca de luzes acesas em salas vazias. Durante a “Páscoa Desligada”, alunos que se lembrassem de desligar os computadores eram recompensados com ovos de chocolate.

Segundo a agência da ONU, os estudantes expostos a ideias sustentáveis acabam continuando a defendê-las quando deixam a faculdade. O número de membros da organização britânica chega a 7 milhões e, como sua gerente de programas comunitários Charlotte Bonner destacou, “são 7 milhões de pessoas que vão continuar a moldar a sociedade”.

O projeto Impacto Verde nasceu das preocupações de estudantes acerca das práticas éticas das empresas que oferecem bens e serviços aos campi ocupados pela organização. Dez anos depois, uma pesquisa realizada pela NUS revelou que mais de 60% dos alunos acreditavam que suas universidades deveriam levar a sustentabilidade mais a sério.

Cerca de 1 mil pessoas por ano recebem treinamento do Impacto Verde, mas são as universidades e faculdades que dão financiamento para a iniciativa. Segundo a organização, para cada libra esterlina investida no programa, três libras são economizadas ou utilizadas de maneira mais eficiente.

Motivação de funcionários

A maior parte do esforço necessário para o Impacto Verde dar certo depende dos funcionários das universidades, disse Richard Jackson, diretor de sustentabilidade na University College London, um campus espalhado por mais de 230 edifícios.

“Economizamos energia com o Impacto Verde”, explicou Richard. “Mas isso também nos fornece dados para direcionarmos nossas intervenções. Por exemplo, há alguns anos percebemos que o Departamento de Química estava utilizando muita água, então, adotamos medidas para economizar”, completou.

Os estudantes são mais envolvidos no fim do ano, ajudando com a auditoria dos resultados e com a medição do progresso em direção à sustentabilidade. A auditoria é essencial, não apenas para medir a efetividade dos projetos, mas porque todo o programa é competitivo. Nas universidades, as equipes competem entre si para conseguir classificações anuais, o que cria um contato mais estreito entre estudantes e funcionários.

Robbiie Young, vice-presidente da NUS para Sociedade e Cidadania, disse que o prêmio é uma fonte de orgulho para a organização. “Em um mundo que está se mostrando tão limitado, onde a sustentabilidade está sendo deixada fora da agenda política, a NUS ganhou um prêmio internacional pela sustentabilidade e por buscar garantir internacional e globalmente que o mundo seja um lugar melhor”.

O prêmio de 50 mil dólares será reinvestido, em sua maior parte, na forma de microcréditos – um incentivo para que mais universidades e faculdades se envolvam com o Impacto Verde.