OPAS/OMS participa da campanha global dos 16 Dias de ativismo pelo fim da violência contra mulheres

Organização Pan-Americana da Saúde se tornou laranja por um dia para promover simbolicamente um futuro de esperança para mulheres e meninas. De acordo com análise feita no Mapa da Violência 2015, o número de mortes violentas de mulheres negras aumentou 54% em dez anos.

Foto: OPAS/OMS

Foto: OPAS/OMS

A equipe e o edifício da Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS) se vestiram de laranja na última nesta quarta-feira (25) para marcar a campanha “16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra Mulheres”.

A cor das peças foi escolhida por conta da adesão da entidade à iniciativa global da ONU Mulheres “Torne o Mundo Laranja”, que simboliza um futuro de esperança para mulheres e meninas. Os 16 dias se referem ao período de 25 de novembro (Dia Internacional para Eliminação da Violência contra Mulheres) a 10 de dezembro (Dia Internacional dos Direitos Humanos).

Os 16 Dias de Ativismo começaram em 1991, quando mulheres de diferentes países, reunidas pelo Centro de Liderança Global de Mulheres (CWGL), iniciaram uma ação para promover o debate e denunciar as várias formas de violência de gênero.

No Brasil, a Campanha tem início um pouco antes, no dia 20 de novembro, declarado o Dia Nacional da Consciência Negra, para reforçar o reconhecimento da opressão e discriminação históricas contra a população negra e ressaltar o grande número de mulheres negras brasileiras como vítimas da violência de gênero.

De acordo com análise feita no Mapa da Violência 2015, elaborado pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso) e lançado no início deste mês com apoio da OPAS/OMS e escritório no Brasil ONU Mulheres, o número de mortes violentas de mulheres negras aumentou 54% em dez anos, passando de 1.864, em 2003, para 2.875, em 2013.

No mesmo período, a quantidade anual de assassinato de mulheres brancas caiu 9,8%, saindo de 1.747 em 2003 para 1.576 em 2013. O estudo revelou ainda que a taxa de assassinato de mulheres no Brasil foi de 4,8 por 100 mil mulheres em 2013.

Por que o setor saúde deve abordar o tema?

O documento da OPAS/OMS “Violencia contra las mujeres y violencia contra los niños y las niñas: Áreas clave de la OPS/OMS para la acción”, destaca que, além das altas taxas de mortalidade, a violência contra a mulher contribui com altos índices de morbidade, sejam lesões físicas bem como outras consequências à saúde em longo prazo.

As diferentes formas de violência contra mulheres e meninas podem resultar em implicações à saúde mental, tal como depressão, ideias suicidas ou abuso de substâncias.

Mulheres e meninas podem ainda sofrer agravos à saúde sexual e reprodutiva, como a contração de uma doença sexualmente transmissível ou uma gravidez não desejada ou precoce.

Em maio de 2014, a 67ª Assembleia Mundial de Saúde adotou a Resolução WHA67.15, intitulada “Fortalecimento da função do sistema de saúde na luta contra a violência, em particular a exercida contra mulheres e meninas, e contra meninos em geral”.

O documento reconhece que a violência contra mulheres e meninas persiste em todos os países do mundo e representa um grande desafio para a saúde pública, sendo uma violação do direito fundamental de desfrutar de saúde física e mental e um grande obstáculo para alcançar a igualdade de gênero.