OPAS, Ministério da Saúde e parceiros promovem treinamento para reduzir mortes maternas por hemorragia

O Ministério da Saúde do Brasil e a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), escritório regional da Organização Mundial da Saúde (OMS) para as Américas, iniciaram na quinta-feira (2), no município de São Paulo, a terceira edição do treinamento de instrutores da estratégia Zero Morte Materna por Hemorragia no Brasil.

O evento, que seguiu nesta sexta-feira (3) e capacitou nesta edição 36 profissionais de 22 estados brasileiros, contou com a parceria da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e da Universidade Federal do Ceará (UFC).

Em todo o mundo, de 3,8% a 8,8% das mulheres grávidas sofrem violência pelos chamados parceiros íntimos, segundo o UNFPA. Foto: EBC

Foto: EBC

O Ministério da Saúde do Brasil e a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), escritório regional da Organização Mundial da Saúde (OMS) para as Américas, iniciaram na quinta-feira (2), no município de São Paulo, a terceira edição do treinamento de instrutores da estratégia Zero Morte Materna por Hemorragia no Brasil.

O evento, que seguiu nesta sexta-feira (3) e capacitou nesta edição 36 profissionais de 22 estados brasileiros, contou com a parceria da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e da Universidade Federal do Ceará (UFC).

A estratégia Zero Morte Materna por Hemorragia é desenvolvida pela OPAS em conjunto com as autoridades nacionais e subnacionais de saúde de seis países – Bolívia, Guatemala, Haiti, Peru e República Dominicana.

Por meio dessa iniciativa, a OPAS e seu Centro Latino-Americano de Perinatologia – Saúde das Mulheres e Reprodutiva (CLAP/SMR) mobilizam governos, sociedade civil e comunidades para realizarem conjuntamente ações que acelerem a redução da morbimortalidade materna grave, tendo como linhas de ação o acesso e cobertura de saúde; sistemas de informação; comunicação e intervenções para equipes de saúde.

O projeto é adaptado à realidade de cada Estado-membro e, segundo a coordenadora da Unidade de Família, Gênero e Curso de Vida da OPAS/OMS no Brasil, Haydee Padilla, o Brasil foi o único das Américas a iniciar o processo de institucionalização do Zero Morte Materna por Hemorragia como uma estratégia governamental.

“É o primeiro país em que temos isso. Com essa institucionalização, a UFBA passará, a partir de agora, a ser centro formador de profissionais para enfrentar a mortalidade materna, dando continuidade a esses treinamentos que a OPAS e o Ministério da Saúde vinham organizando. Já a UFC funcionará como centro de simulação realística para emergências obstétricas. E, claro, o trabalho da UFBA e da UFC será feito sempre com apoio da OPAS e do Ministério”, afirmou.

De acordo com Haydee Padilla, isso permite que a estratégia possa gerar uma mudança de comportamento de profissionais para atenção mais qualificada às emergências obstétricas. “A UFBA terá a responsabilidade de a curto e médio prazo implementar o projeto em todo o Brasil e, futuramente, se tornar um centro colaborador da OPAS e da OMS para esse tema.”

Para o diretor do Departamento de Ações Programáticas Estratégicas do Ministério da Saúde, Márcio Henrique de Oliveira Garcia, a estratégia Zero Morte Materna por Hemorragia ajuda o país a avançar no cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

“Esse é um projeto que tem todo o apoio do Ministério da Saúde. Se conseguirmos grandes resultados para a redução da mortalidade materna por hemorragia, vamos trazer um impacto importante para o atingimento das metas dos ODS”, disse.

Segundo Eduardo Luiz Andrade Mota, pró-reitor de Planejamento e Orçamento da UFBA, a redução da mortalidade materna é uma dívida que o país tem e precisa saldar com as mulheres e seus filhos.

“O Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia tem acumulado um longo currículo na área de saúde da mulher, em especial em mortalidade materna. Ao sermos convidados pelo Ministério da Saúde e pela OPAS, abraçamos esse projeto com muito entusiasmo.”

Para Raquel Autran, professora e representante do setor de ensino da Maternidade Escola Assis Chateaubriand/EBSERH/UFC, a estratégia de simulação é essencial para treinar de maneira segura os profissionais de saúde.

“A hemorragia grave é um evento pouco frequente. Então, é importante que as equipes estejam preparadas para atuar de modo coordenado nessas situações de emergência. Por isso, é tão importante que os treinamentos ocorram em contexto de simulação realística”, afirmou.

Treinamento

O primeiro treinamento de instrutores da estratégia Zero Morte Materna por Hemorragia no Brasil foi promovido em 2016 pelo Ministério da Saúde e a OPAS, com apoio do CLAP/SMR, da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia (FIGO) e Federação Latino-Americana de Sociedades de Obstetrícia e Ginecologia (FLASOG).

O objetivo desse treinamento é qualificar médicas(os) e enfermeiras(os), com perfil diferenciado, que deverão apoiar tecnicamente a implementação do Zero Morte Materna por Hemorragia nos estados brasileiros.

Além de palestras e debates, os profissionais participam de estações de simulação realísticas com cenários de hemorragia pós-parto. Esses treinamentos têm ajudado a salvar a vida de várias mães e bebês.