OPAS: governo de Palmas capacita profissionais do Mais Médicos para combater hanseníase

Capital é considerada região endêmica da doença. No Brasil, foram contabilizadas cerca de 28 mil novas infecções de hanseníase em 2015. O número representa aproximadamente 13% do total global de novos casos registrados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) no mesmo período. Mais Médicos levou cobertura universal de saúde para Palmas, segundo governo.

Em Palmas, no Tocantins, o projeto “Palmas Livre de Hanseníase” do governo municipal capacita clínicos, incluindo profissionais do Mais Médicos, para torná-los aptos a diagnosticar e tratar hanseníase já no primeiro contato dos pacientes com os sistemas de saúde. A cidade é considerada uma região endêmica da doença que infectou, em 2015, cerca de 28 mil novas pessoas no Brasil.

O número representa pouco mais de 13% do total de novos casos — 210.758 — registrados em todo o mundo no mesmo período, segundo levantamento da Organização Mundial da Saúde (OMS).

“A meta é empoderar o profissional de saúde em hanseníase para que ele perca o medo, o preconceito e tenha segurança para diagnosticar na atenção primária, e não encaminhar para um especialista para não afunilar o sistema”, disse Jaison Antônio Barreto, médico dermatologista e chefe do departamento de epidemiologia do Instituto Lauro de Souza Lima. O centro é responsável pela iniciativa municipal.

Ainda tem preconceito,
mas não como era antes.
Isso porque eles sabem que tem tratamento,
que é uma doença crônica,
mas que tem cura.

“E é também empoderar o usuário do SUS que vive em regiões endêmicas, para que ele se informe e procure o atendimento a que tem direito”, acrescentou o especialista.

Jeamile Alvarez Pereira, médica cubana do Programa Mais Médicos, é uma das alunas e aprende sobre a doença durante as próprias sessões de atendimento.

Até o momento, ela já diagnosticou sete casos de hanseníase. “Nos que eu tenho diagnosticado, os pacientes aceitaram a doença e estão colaborando com o tratamento. Ainda tem preconceito, mas não como era antes. Isso porque eles sabem que tem tratamento, que é uma doença crônica, mas que tem cura”, afirmou.

Barreto esclarece que “a hanseníase é uma doença de contato continuado” e que “não é por estar no mesmo local que uma pessoa durante alguns minutos que vai haver contágio”. “É necessário conviver com a pessoa doente por um período de tempo. Por isso, quando uma pessoa é diagnosticada com hanseníase, é necessário avaliar os outros integrantes da família”, explicou.

Para o especialista, o “Palmas Livre de Hanseníase” é uma iniciativa “pelo fim da ignorância, do preconceito” em torno de uma “doença negligenciada, escondida e que, por ser renegada, acomete muitas pessoas nas regiões mais pobres do país e também médicos, enfermeiros e profissionais de saúde”.

Segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) — parceira do Instituto Lauro de Souza Lima— , em casos de hanseníase, qualquer infecção, complica o tratamento, pois afeta a imunidade do paciente e o deixa mais debilitado. Por isto, a abordagem tem que ser integral e transdisciplinar.

Mais Médicos levou cobertura universal para Palmas

O atual secretário municipal de Saúde, Nésio Fernandes de Medeiros Júnior, destaca que o Mais Médicos, um dos participantes do “Palmas Livre de Hanseníase”, foi responsável por ampliar a cobertura do atendimento na capital — de 64% a 100%.

“Eu sou médico de formação e trabalhei no Programa Mais Médicos aqui em Palmas antes de assumir este posto. Então eu vi, na ponta, como essa iniciativa é importante e como ela ajudou o município a expandir a cobertura e como poderia ajudar em outras frentes”, lembrou o chefe da pasta.

Segundo o secretário, “a cidade tem 275 mil habitantes e conta com uma rede de serviços de saúde com 31 unidades”. “Com a chegada do Programa, conseguimos alcançar a totalidade da cobertura em saúde, o que aconteceu no mês passado”, afirmou.

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