OPAS: Encontro debate diagnóstico mais rápido e maior integração no combate à zika, dengue e chikungunya

O zika vinha sendo encarado apenas como doença leve, mas a suspeita associação dele com quase 5 mil casos de crianças com malformação congênita, apenas no Brasil, é alarmante. Foto: Portal Brasil

Fortalecer a vigilância do vírus zika e melhorar a detecção são alguns dos temas que os peritos da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) estão tratando em uma série de reuniões em Porto Rico, como parte do trabalho da Organização para combater o zika, a dengue e o chikungunya – três doenças virais que afetam a região das Américas.

O zika é um vírus novo na região, transmitido por mosquitos. Desde maio de 2015, quando o Brasil reportou os primeiros casos de transmissão local, o vírus se propagou para 26 países e territórios das Américas.

Ao mesmo tempo, os surtos de dengue e chikungunya, que são transmitidos pelo mesmo mosquito Aedes, continuam em muitos países. “A OPAS está trabalhando em elementos comuns para integrar a luta contra essas arboviroses, principalmente nas áreas de controle de mosquitos e laboratório”, disse a agência da ONU por meio de um comunicado.

Os desafios de estabelecer um diagnóstico laboratorial confiável para dengue, chikungunya e zika são o tema central da reunião com os Centros Colaboradores da Organização Mundial da Saúde (OMS), realizada entre os dias 16 e 17 de fevereiro em Porto Rico. Os peritos estão discutindo sobre o controle de qualidade externo de laboratórios que diagnosticam dengue e outras arboviroses e sobre como desenvolver novos algoritmos de testagem para dengue, que também incluem chikungunya e zika como possíveis diagnósticos.

A OPAS tem desenvolvido uma estratégia para ajudar os países a mitigar o impacto do zika, por meio do fortalecimento de suas capacidades de detectar a introdução de propagação do vírus, reduzir as populações de mosquitos, garantir os serviços de saúde necessários e se comunicar de maneira efetiva com o público sobre os riscos e as medidas de prevenção.

O vírus zika se propagou rapidamente devido ao fato de a população das Américas não ter sido exposta ao vírus, carecendo de imunidade, e porque os mosquitos Aedes, o principal vetor para transmissão de zika, estão presentes em todos os países da região exceto Canadá e Chile continental.

A situação atual de infecção pelo vírus zika, sua possível associação com a Síndrome de Guillain-Barré e com a microcefalia, além dos passos a serem seguidos para melhoria do diagnóstico laboratorial e identificação de alternativas integradas para detectar o vírus, são os temas abordados na primeira reunião científica.

A Rede de Laboratórios de Dengue nas Américas, que forma parte da estratégia regional integrada para prevenir e controlar a dengue, também traz peritos para discutir um novo projeto para criação de um mapa genético do vírus da dengue nas Américas. Os participantes da OPAS, da OMS, dos laboratórios e dos círculos acadêmicos discutem o impacto global das arboviroses e um novo algoritmo de testagem.

Para prevenir ou retardar a propagação do vírus zika, assim como da dengue e chikungunya, a OPAS recomenda o seguinte:

  • Deve-se reduzir e controlar as populações de mosquitos por meio da eliminação de criadouros. Os recipientes que podem conter pequenas quantidades de água onde os mosquitos podem se reproduzir (baldes, tampas de garrafas, vasos de flores ou pneus) devem ser esvaziados, limpos ou cobertos, para prevenir que os mosquitos se reproduzam neles. Isso ajudará a controlá-los. Outras medidas envolvem o uso de larvicidas para tratar água parada.
  • Todas as pessoas que vivem ou visitam áreas com mosquitos Aedes devem se proteger das picadas de mosquitos mediante o uso de repelente de insetos; uso de roupa (preferencialmente de cor clara) que cubra o corpo tanto quanto seja possível; o uso de barreiras físicas, especialmente durante o dia quando os mosquitos Aedes são mais ativos.
  • As grávidas devem ter cuidado especial para evitar as picadas de mosquitos. Embora o zika normalmente só cause sintomas leves, surtos no Brasil têm coincidido com um marcado aumento de recém-nascidos com microcefalia (ou cabeça incomumente pequena). As mulheres que planejam viajar a zonas onde circula o zika devem consultar um profissional de saúde antes de viajar e ao regressar. As mulheres que creem terem sido expostas ao vírus da zika devem se consultar com seu médico para acompanhamento de perto de sua gravidez.

A OPAS está trabalhando com seus países membros para fortalecer o controle de vetores, comunicar os riscos e promover a prevenção, além de estabelecer ou melhorar a vigilância das infecções pelo vírus da zika e possíveis complicações, como microcefalia, Síndrome de Guillain-Barre e outros transtornos neurológicos ou autoimunes.