OPAS diz que Brasil precisa intensificar isolamento social para conter pandemia

São Paulo é o epicentro das mortes por COVID-19 no Brasil. Foto: Agência Brasil/Rovena Rosa

Em entrevista por videoconferência à ONU News, o especialista em epidemiologia e vice-diretor da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), Jarbas Barbosa, disse que o aumento no número de casos de COVID-19 no Brasil pode ser contido com mais isolamento social.

Barbosa alertou sobre o risco de o número de casos superar a capacidade do sistema de saúde brasileiro.

Segundo ele, a forte disseminação da doença deve seguir até a primeira semana de junho, com base nos modelos e cálculos da OPAS.

“Nessa situação, a única medida capaz de frear e reduzir a velocidade de transmissão é o distanciamento social. Seguramente, que em cada estado do Brasil, essa realidade pode ser um pouco diferente.”

“Por isso, é importante uma análise criteriosa do número de casos novos, que estão acontecendo todos os dias, e monitorar também a ocupação dos leitos de UTI, uso de respiradores mecânicos.”

O vice-diretor da OPAS disse ainda que, além do Brasil, outros países latino-americanos estão enfrentando um aumento “muito rápido” no número de casos de COVID-19, como Equador, Chile, Peru e México.

Barbosa, que tem mais de 40 anos de experiência em medicina e políticas de saúde pública, afirmou que a situação é diferente em cada um dos estados brasileiros, mas que a prioridade agora deve ser conter o avanço da doença com as medidas acertadas.

“Particularmente, nós da Organização Pan-Americana da Saúde, estamos prestando apoio técnico ao Ministério da Saúde do Brasil exatamente para que essas medidas sejam mais efetivas, que a gente consiga reduzir a velocidade de transmissão e sair o mais rápido possível desse momento intenso de transmissão que alguns estados do Brasil passam.”

O especialista da OPAS disse que qualquer cálculo e projeção do avanço da doença depende do sucesso do distanciamento social, e que deve haver um monitoramento para avaliar como a população está aderindo às medidas.

Na quinta-feira (21), o número de casos de novo coronavírus, no mundo, ultrapassou a marca de 5 milhões. Estados Unidos, Brasil e Índia estão entre as nações com o maior número de notificações da COVID-19.

Leia a íntegra de um trecho da entrevista:

Que medidas específicas que o Brasil deve tomar para reduzir o número de casos?

O Brasil, assim como vários outros países na América Latina nesse momento, como Peru, Equador, Chile, México, está experimentando um crescimento muito rápido no número de casos. Nessa situação, a única medida capaz de frear e reduzir a velocidade de transmissão é o distanciamento social.

Seguramente, que em cada estado do Brasil, essa realidade pode ser um pouco diferente. Por isso é importante uma análise criteriosa do número de casos novos, que estão acontecendo todos os dias, monitorar também a ocupação dos leitos da UTI, uso de respiradores mecânicos, porque se se deixa a transmissão ocorrer de maneira natural, sem nenhum tipo de redução da velocidade, o número de casos que é produzido vai superar a capacidade dos leitos de UTI, de respiradores, e pessoas vão morrer. Isso é muito importante, este monitoramento.

(É preciso) Tomar as medidas adequadas. Se o distanciamento social não está funcionando, verificar como se pode aumentar a adesão da população para que se consiga diminuir esta velocidade o mais rápido possível.

Tendo em conta a evolução da pandemia no Brasil, quando acredita que a curva deve começar a baixar?

Nós trabalhamos com modelos matemáticos, mas esses modelos têm a finalidade apenas de servir para o planejamento do número de leitos necessários, da quantidade dos profissionais de saúde e o número de respiradores mecânicos.

Com base nesses modelos, se estima que essa transmissão mais forte vai continuar até a primeira semana de junho. Mas isso depende, claro, do sucesso das medidas de distanciamento social.

Particularmente, nós da Organização Pan-Americana da Saúde, estamos prestando apoio técnico ao Ministério da Saúde do Brasil exatamente para que essas medidas sejam mais efetivas, que a gente consiga reduzir a velocidade de transmissão e sair o mais rápido possível desse momento intenso de transmissão que alguns estados do Brasil passam.