OPAS divulga orientações para reduzir a transmissão da COVID-19 entre populações indígenas e afrodescendentes

A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) publicou um guia com recomendações sobre medidas para reduzir a transmissão da COVID-19 entre populações indígenas, afrodescendentes e outros grupos étnicos. As orientações se concentram na promoção da higiene, no distanciamento social e na melhoria do acesso a serviços básicos de saúde em suas comunidades.

No guia, a OPAS observa que esses grupos populacionais enfrentam desafios singulares, como níveis mais altos de pobreza, falta de acesso a alguns serviços básicos, como água e saneamento, e barreiras culturais, incluindo barreiras linguísticas. Outros fatores que podem aumentar sua vulnerabilidade são as barreiras ao acesso aos serviços de saúde, maior prevalência de doenças crônicas, menor acesso a redes de segurança social, desconfiança causada por um histórico de racismo e altos níveis de trabalho informal entre membros dessas comunidades.

Colheita de pequi na Aldeia Ngôjwêrê dos Kisêdjê, na Terra Indígena Wawi. Foto: Associação Indígena Kisêdjê

A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) publicou um guia com recomendações sobre medidas para reduzir a transmissão da COVID-19 entre populações indígenas, afrodescendentes e outros grupos étnicos (em inglês). As orientações se concentram na promoção da higiene, no distanciamento social e na melhoria do acesso a serviços básicos de saúde em suas comunidades.

No guia, a OPAS observa que esses grupos populacionais enfrentam desafios singulares, como níveis mais altos de pobreza, falta de acesso a alguns serviços básicos, como água e saneamento, e barreiras culturais, incluindo barreiras linguísticas. Outros fatores que podem aumentar sua vulnerabilidade são as barreiras ao acesso aos serviços de saúde, maior prevalência de doenças crônicas, menor acesso a redes de segurança social, desconfiança causada por um histórico de racismo e altos níveis de trabalho informal entre membros dessas comunidades.

O impacto da pandemia da COVID-19 entre povos indígenas e afrodescendentes, que geralmente moram longe dos serviços de saúde, “pode ser mitigado se esses grupos participarem desde o início de qualquer decisão que afete sua saúde e, com o apoio do setor de saúde, adotar medidas de prevenção e conectar-se à rede de serviços de saúde se a COVID-19 afetar seus territórios, aponta o documento da OPAS.

Na bacia amazônica, por exemplo, existem populações indígenas em mais de 2,4 mil territórios e 800 comunidades, cerca de 200 das quais vivem em isolamento voluntário. “Os desafios de saúde documentados nessas populações incluem tuberculose, malária e doenças evitáveis por vacina, como sarampo e febre amarela. Isso é agravado pela insegurança alimentar, que afeta 85% da população, e falta de serviços de água e saneamento”, ressalta o guia.

Entre os motivos pelos quais os grupos étnicos podem enfrentar mais riscos de contrair a COVID-19 estão as barreiras à adoção de certas práticas básicas de higiene, como lavar as mãos quando não há água e sabão e dificuldade em praticar o distanciamento social, o que pode não ser culturalmente aceitável ou prático”, revelou o documento.

“Esses problemas devem ser resolvidos por meio de medidas promovidas na perspectiva de povos indígenas ou afrodescendentes, com apoio do setor de saúde e/ou de outros setores envolvidos no atendimento de necessidades prioritárias, como sabão para lavar as mãos”, pontuou a OPAS na publicação.

Outro desafio para essas comunidades é a falta de acesso a serviços básicos culturalmente adequados e de boa qualidade, capazes de gerenciar casos potenciais da COVID-19 nessas populações. A OPAS recomenda que o atendimento à doença seja inclusivo e que os profissionais de saúde das comunidades indígenas e afrodescendentes coordenem ações com os líderes comunitários para transmitir todas as informações necessárias às comunidades.

O documento da OPAS inclui recomendações para grupos indígenas, afrodescendentes e outros grupos étnicos, líderes comunitários, governos e pessoal de saúde. Nesse sentido, sugere que os governos promovam oportunidades de participação e diálogo não apenas para lidar com os efeitos imediatos da COVID-19, mas também para lidar com a fase pós-emergência, que incluirá recuperação econômica e social.

O guia sugere também que é importante “garantir que todos os membros da família saibam o que fazer se alguém tiver a COVID-19 e o apoio específico que eles devem fornecer. Deve-se ter em mente que, em algumas comunidades, o conceito ocidental de ‘família’ geralmente não é aplicável, com ‘famílias’ consistindo na família extensa, que representa a comunidade como um todo”, afirmou a OPAS.

A comunicação também é fundamental para alcançar grupos étnicos, por isso, as autoridades de saúde devem fornecer informações em idiomas indígenas, com mensagens culturalmente apropriadas usando símbolos e imagens sempre que possível, validados pela comunidade.

Cada medida adotada pelos governos deve levar em conta a realidade cultural desses grupos e são necessárias medidas para proteger esses territórios, como ações para fornecer água potável, sabão e desinfetantes, além de alimentos e outras necessidades básicas.

Em relação ao manejo adequado de cadáveres no contexto da COVID-19, o documento observa que é importante seguir protocolos e diretrizes nacionais com respostas específicas que sejam seguras, dignas, culturalmente aceitáveis e adaptadas às tradições e costumes dos povos indígenas, povos afrodescendentes e outros grupos étnicos, levando em consideração as recomendações da OPAS e da OMS sobre o manejo de cadáveres.

Acesse o Guia com recomendações sobre medidas para reduzir a transmissão da COVID-19 entre populações indígenas, afrodescendentes e outros grupos étnicos (em inglês).