OPAS: consequências a longo prazo do surto de zika são incertas

Principal transmissor da doença, o mosquito Aedes aegypti é considerado pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) ‘um vetor muito evasivo’ e com alta taxas de infecção.

Segundo agência da ONU, ainda falta muito para definir o risco absoluto de malformações congênitas associados ao zika e para determinar quais infecções congênitas são provocadas pelo vírus.

Aedes aegypti é principal transmissor do zika, da dengue e da chikungunya. Foto: UNICEF/Ueslei Marcelino

Aedes aegypti é principal transmissor do zika, da dengue e da chikungunya. Foto: UNICEF/Ueslei Marcelino

O futuro do surto de zika nas Américas é incerto e vai exigir esforços de médio e longo prazo para atender à população afetada. Essa foi uma das conclusões do Comitê Executivo da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS). Em reunião até o final da semana passada (24), o organismo regional debateu novas estratégias de combate à doença e outras arborviroses, além de abordar outras questões de saúde pública.

Durante o encontro, o gerente de incidentes sobre zika da OPAS, Sylvain Aldighieri, destacou que a agência da ONU enviou 88 especialistas em 53 missões para países e territórios onde o vírus foi identificado.

Segundo o especialista, ainda há muito trabalho a ser feito para definir o risco absoluto de malformações congênitas associadas ao zika — e para determinar quais infecções congênitas são provocadas pelo vírus.

A OPAS, porém, já conta uma estratégia para responder de forma adequada à epidemia, com investimentos previstos para a pesquisa científica e prevenção da doença.

“O Aedes aegypti é um vetor muito evasivo e com altas taxas de infestação, mas estamos plenamente comprometidos com nossos Estados-membros no que se refere ao zika”, afirmou a diretora da OPAS, Carissa F. Etienne.

A reunião do Comitê Executivo também aprovou novas iniciativas para prevenir e controlar arboviroses, incluindo dengue, chikungunya, febre amarela e zika – todas com grande incidência nas Américas.

O diretor de doenças transmissíveis e análise de saúde da OPAS, Marcos Espinal, disse que, apesar dos esforços para controle, os casos de dengue continuam a crescer, com 14 milhões de casos e 7 mil mortes registrados entre os anos 2000 e 2014. Ocorrências de chikungunya já alcançaram mais de 1,7 milhão desde que a doença chegou à região, em dezembro de 2013.

A nova estratégia — que provavelmente terá aprovação final durante o Conselho Diretivo da OPAS em setembro — foca na vigilância reforçada, na detecção precoce de arboviroses emergentes e reemergentes, no diagnóstico e no monitoramento dos vetores das doenças.

A OPAS tem “respondido de maneira oportuna e eficaz a uma série de desastres e surtos, baseando-se em sua ampla experiência no manejo de desastres. Temos sido capazes de trabalhar com parceiros para garantir um apoio concreto aos Estados-membros afetados”, disse Etienne.

A diretora da agência da ONU ressaltou ainda a importância da “abordagem integrada para a prevenção contra zika, dengue, chikungunya e febre amarela” na nova Estratégia Regional para a Prevenção e o Controle das Doenças causadas por Arbovírus.


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