Organizações questionam falta de representatividade das mulheres na Conferência do Clima da ONU

Mulheres fazem parte do grupo mais afetado pelas mudanças climáticas, segundo a ONU Mulheres. No entanto, são as que têm menos poder de decisão no acordo sobre alterações do clima.

Mulheres se reúnem no exterior da Conferência do Clima em Paris para reivindicar seu papel nas negociações e no texto acordado durante a cúpula. Foto: ONU/Stephanie Coutrix

Mulheres se reúnem no exterior da Conferência do Clima em Paris para reivindicar seu papel nas negociações e no texto acordado durante a cúpula. Foto: ONU/Stephanie Coutrix

Dezenas de organizações não-governamentais se juntaram fora da Conferência do Clima (COP21) em Paris, França, na terça-feira (8) para enfatizar a importância da existência de mais mulheres à frente das discussões, tanto em termos de quem está negociando o novo acordo climático, como quanto ao conteúdo do que será escrito nessas páginas.

“Nós ficamos muito estressadas há dois meses quando todas as referências de gênero que estavam presentes no texto foram cortadas”, afirmou a vice-diretora executiva da ONU Mulheres, Lakshmi Puri.

A representante explicou que, para garantir não só a volta das referências no texto como também o seu reforço, a agência da ONU fez contato com Estados-membros e toda a sociedade civil. Segundo ela, o acordo que está atualmente em negociação cita novamente a igualdade de gênero, o empoderamento da mulher, a liderança de mulheres e seu papel no preâmbulo, faz referência à adaptação, financiamento e construção de capacidades baseada em gênero.

“Nesta manhã nós estivemos com mulheres ministras de todas as partes do mundo para falar que nós precisamos delas para permanecer firmes nas negociações em nome das mulheres, e para que falem com as suas delegações, de forma que eles façam o que é justo e direito para as mulheres”, declarou a advogada nigeriana e diretora executiva do Centro de Questões do Século 21, Titi Akosa.

“Queremos dizer que com a crise atual climática, mulheres e as pessoas marginalizadas são as mais afetadas”, afirmou Lean Deleon, que representou o Grupo Maior de Mulheres, destacando que este é justamente o grupo que não tem lugar nas mesas de decisão. “Então queremos amplificar as vozes vindas das comunidades populares”, pontuou.

Segundo a ONU Mulheres, mudanças climáticas atingem mais as mulheres e meninas, particularmente, já que muitas delas passam uma quantidade de tempo desproporcional buscando comida, combustível e água, ou batalhando para que os cultivos sejam produtivos. De acordo com a agência da ONU, essa relação estreita com o universo à sua volta também mostra que mulheres precisam ser parte da solução.


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