Onze bancos internacionais unem-se à ONU para promover transparência climática

AUMENTAR LETRA DIMINUIR LETRA

Representando mais de 7 trilhões de dólares em ativos, instituições financeiras como Itaú, Bradesco, ANZ, Barclays, Citi, National Australia Bank, Royal Bank of Canada, Santander, Standard Chartered, TD Bank Group e UBS uniram-se aos esforços da ONU Meio Ambiente no sentido de fortalecer a transparência e a avaliação de riscos e oportunidades de negócios ligados à mudança do clima.

Tal iniciativa torna as instituições financeiras mais bem preparadas para apoiar a transição financeira rumo a uma economia mais estável e sustentável, disse a ONU Meio Ambiente.

Edifícios nos arredores de Wall Street. Foto: Michael Aston/Flickr (CC)

Edifícios nos arredores de Wall Street. Foto: Michael Aston/Flickr (CC)

Em meio à iniciativa financeira da ONU Meio Ambiente (UNEP FI), 11 bancos globais anunciaram nesta terça-feira (11) o compromisso de desenvolver indicadores e ferramentas analíticas para fortalecer sua transparência e avaliação de riscos e oportunidades relacionados à mudança do clima.

Os bancos adotaram as recomendações publicadas sobre o tema no mês passado pela força-tarefa do Conselho de Estabilidade Financeira (FSB, na sigla em inglês) — instituição criada pelo G20 em 2009.

“A mensagem dos pesos-pesados das finanças é clara: a mudança do clima representa uma ameaça séria e real para nossa economia”, disse o diretor-executivo da ONU Meio Ambiente, Erik Solheim.

“Ao mesmo tempo, há enormes oportunidades de negócios na ação pelo clima. A transparência em relação a como as instituições financeiras mitigam os riscos e aproveitam as oportunidades para evitar um aumento de 2 graus Celsius é crucial para fazer com que os mercados internacionais apoiem ativamente um futuro de baixo carbono e resiliente ao clima.”

O FSB, liderado pelo presidente do banco central da Inglaterra, Mark Carney, comanda a força-tarefa para desenvolver transparência voluntária e consistente sobre riscos financeiros relacionados ao clima. Tais informações poderão ser utilizadas por empresas, investidores, credores e seguradoras.

Aumentar a quantidade de informação confiável sobre a exposição das instituições financeiras aos riscos e oportunidades relacionados à mudança do clima fortalecerá a estabilidade do sistema financeiro e ajudará a impulsionar investimentos sustentáveis, de acordo com a ONU Meio Ambiente.

Coordenadas pelo ex-prefeito de Nova Iorque Michael Bloomberg, as recomendações finais da força-tarefa foram publicadas no fim de junho e submetidas aos países do G20 na semana passada.

As recomendações foram elogiadas por instituições financeiras e pela sociedade civil, uma vez que o papel do setor financeiro na conquista dos objetivos traçados pelo Acordo de Paris para o clima se torna cada vez mais claro.

O primeiro movimento dos 11 bancos os coloca na vanguarda desses esforços. Os resultados serão divulgados para encorajar outras instituições financeiras no mundo todo a adotar esses cenários, modelos e abordagens desenvolvidas.

Bancos brasileiros

Para a superintendente de sustentabilidade do Itaú, Denise Hills, a participação da instituição financeira brasileira na iniciativa da ONU Meio Ambiente fortalece o compromisso do banco com uma economia global em transição.

“Ao mesmo tempo, reforça nosso propósito de sermos um agente de transformação para adicionar valor aos nossos clientes, acionistas e sociedade, de forma ética, consistente e responsável”, declarou.

Segundo o diretor-gerente do Bradesco, Luiz Carlos Angelotti, o banco “apoia a força-tarefa e acredita que se companhias e investidores adotarem suas recomendações e incluírem tais questões importantes em suas discussões estratégicas, isso certamente irá facilitar a transição rumo a uma economia de baixo carbono, reduzindo o impacto no preço dos ativos e criando novas oportunidades de linhas de negócio para as companhias”.

Sobre a iniciativa financeira da ONU Meio Ambiente

A iniciativa financeira da ONU Meio Ambiente é uma parceria entre a agência da ONU e o setor financeiro criada na Eco-92, no Rio de Janeiro, com a missão de promover as finanças sustentáveis.

Mais de 200 instituições financeiras, incluindo bancos, seguradoras e investidores, trabalham com a ONU Meio Ambiente para entender os desafios ambientais atuais, seus impactos nas finanças e como enfrentá-los ativamente.


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