ONU: Violência na República Centro-Africana já obrigou um milhão de pessoas a fugir

Este homem é um deslocado forçado que encontrou abrigo com seus amigos em uma igreja em uma cidade ao norte de Bangui. Foto: ACNUR/A.Greco

Uma nova onda de violência tomou conta de Bangui, a capital da República Centro-Africana (RCA), na semana passada, forçando cerca de 16 mil pessoas a fugir em busca de segurança para o interior do país.

A violência se intensificou por causa do aumento de ataques feitos, predominantemente, pelo grupo anti-Balaka – uma milícia composta por cristãos que comete ataques contra muçulmanos – e pelas tropas da União Africana, encarregadas de proteger a população civil.

A retomada da violência entre as comunidades provocou um novo deslocamento dentro do país e além de suas fronteiras. Com os ataques na capital, o número de deslocados internos na RCA subiu para 637 mil, sendo 207 mil apenas em Bangui.

No auge da crise, cerca de 1 milhão de pessoas foram obrigadas a se deslocar por causa da violência dentro da RCA. Mais de 2 mil pessoas foram mortas nos conflitos entre o grupo Séleka – majoritariamente muçulmanos – e o anti-Balaka desde dezembro do ano passado.

As forças anti-Balaka controlam as principais rotas de Bangui, bem como várias cidades e vilas no sudoeste do país. “Tememos pela vida de 19 mil muçulmanos que habitam nessa área. O Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados [ACNUR] está pronto para ajudar na evacuação desses lugares para áreas mais seguras, sejam dentro ou fora do país”, disse a porta-voz da agência da ONU, Fatoumata Lejeune-Kaba.

“Representantes da população muçulmana em Boda disseram à nossa equipe, semana passada, que se sentiam encurralados e que a presença e a proteção fornecida pelas tropas francesas, até agora, as impediram de serem mortos. Eles acrescentaram, ainda, que suas liberdades de movimento são restritas e pedem para que sejam transferidos para um lugar seguro”, disse a porta-voz.

O ACNUR e seus parceiros planejam enviar profissionais de suas equipes para a área ainda nesta semana, a fim de estabelecer uma presença humanitária e garantir a prestação de assistência a essas pessoas que estão em risco.

Enquanto isso, a maioria dos refugiados muçulmanos continua se deslocando para os países vizinhos da RCA. Nos últimos três meses, mais de 82 mil centro-africanos encontraram abrigo em Camarões, na República Democrática do Congo e no Chade.