ONU vê ‘epidemia de obesidade’ na América Latina e Caribe

As Nações Unidas e a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) alertaram na segunda-feira (8) que a América Latina e o Caribe vivem uma “epidemia de obesidade”.

De 1975 a 2016, a América Latina e o Caribe viram o sobrepeso saltar de 33,4% para quase 60%. Há cerca de quatro décadas, a obesidade afetava 8,6% dos cidadãos da região — agora, estima-se que um em cada quatro sofra do problema.

Obesidade no Brasil será discutida em conferência da FAO na Jamaica. Foto: Flickr/Tony Alter (CC)

Obesidade é fator de risco para doenças crônicas não transmissíveis, como diabetes. Foto: Flickr/Tony Alter (CC)

As Nações Unidas e a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) alertaram na segunda-feira (8) que a América Latina e o Caribe vivem uma “epidemia de obesidade”. Na região, 59,7% da população tem sobrepeso e 24,7% das pessoas são consideradas obesas. Índice de obesidade triplicou ao longo dos últimos 40 anos. Taxas são as segundas mais altas do mundo, ficando atrás apenas do registrado na América do Norte.

Os números foram compilados pela OCDE e pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), em relatório que aponta que as taxas latino-americanas e caribenhas de obesidade estão bem acima da média global. O sobrepeso é identificado em 38,9% da população mundial e a obesidade, em 13,1%, de acordo com dados disponibilizados pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Na América da Norte, a região com os maiores índices, o sobrepeso entre os adultos fica em torno de 64% no México e Canadá e sobe para 67,9% nos Estados Unidos. Já a obesidade atinge os 29,4% no Canadá, 28,9% no México e 36,2% nos Estados Unidos.

De 1975 a 2016, a América Latina e o Caribe viram o sobrepeso saltar de 33,4% para quase 60%. Há cerca de quatro décadas, a obesidade afetava 8,6% dos cidadãos da região — agora, estima-se que um em cada quatro latino-americanos e caribenhos sofra do problema.

No Brasil, a obesidade é estimada em 22,1% pela OMS. Já o sobrepeso, em 56,5%.

A publicação lembra ainda que, acompanhando o avanço do sobrepeso e da obesidade, houve um aumento regional da disponibilidade de calorias per capita, estimada em torno de 3 mil calorias por dia em 2018. O valor representa um aumento de 11% na comparação com 1998. No Brasil, o volume calórico passou de pouco menos de 2,9 mil calorias per capita por dia para quase 3,3 mil calorias nesse mesmo período. O valor de referência da OMS para a dieta do indivíduo médio é de 2 mil calorias.

A OMS também recomenda que a proporção de açúcares livres e de gordura ingeridos não exceda, respectivamente, 10% e 30% do total de calorias consumidos. Na América Latina e Caribe, houve queda na proporção de açúcares livres consumidos — de 16% do total de calorias disponíveis em 1998 para 13% em 2018. O Brasil teve a maior redução da região — de 17% para em torno de 12%.

Mas a diminuição não foi verificada em todos os países — na Argentina, por exemplo, o índice subiu de 13,5% para 14% e, no México, a taxa manteve-se estável.

No caso das gorduras, a disponibilidade desses macronutrientes cresceu, e a sua proporção em relação ao total de calorias consumidas subiu de 26% para 29,5% na América Latina e Caribe. Alguns países, como Argentina, Brasil e Chile, já superaram o limite da OMS — no caso brasileiro, o índice chega perto dos 35%.

O relatório da FAO e OCDE aponta ainda para uma mudança no consumo de proteína da população latino-americana, que passou a comer mais carne. Em 1998, as proteínas — de todos os tipos — respondiam por 11% das calorias ingeridas na América Latina, índice então próximo da média global. Mas do total de proteínas consumidas na região, quase metade (45%) era de origem animal, ao passo que, no mundo, essa proporção era estimada em um terço.

Segundo a publicação, houve uma transição na América Latina, de dietas ricas em cereais, raízes, tubérculos e leguminosas para regimes com um maior consumo de proteína animal.