ONU vê aumento nas mortes de refugiados e migrantes no oeste do Mediterrâneo

Veículo da Guarda Costeira da Espanha aporta no Porto de Algeciras, após resgatar refugiados e migrantes no Mediterrâneo. Foto: ACNUR/Markel Redondo

Pelo menos 25 refugiados e migrantes foram considerados mortos ou desaparecidos após o resgate de seis embarcações na semana passada (20) no oeste do Mediterrâneo, informou a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR). Dois botes foram encontrados com sobreviventes, mas também com cadáveres de indivíduos que morreram durante a travessia do Norte da África rumo à Europa.

“Vocês podem imaginar o quão traumatizante isso foi para as pessoas que foram resgatadas”, afirmou a porta-voz do organismo das Nações Unidas, Elizabeth Throssell, na última sexta-feira (21)

Em um dos seis barcos identificados à deriva no Estreito de Gibraltar, 33 refugiados e migrantes foram salvos. Outros 12 embarcados morreram e mais 12 estão desaparecidos.

Um dos botes levava 57 pessoas, incluindo uma que veio a óbito antes das operações de salvamento.

“Houve uma agitação massiva que os lançou na água”, acrescentou Throssell. Segundo a porta-voz, entre os indivíduos resgatados, estavam uma mãe e seu bebê de dois anos, que foram evacuados de helicóptero por conta de uma hipotermia.

A representante do ACNUR explicou que muitos dos sobreviventes estavam sendo mantidos nos centros de detenção do Porto de Almería, na Espanha.

“Nosso parceiro implementador está lá para fornecer às pessoas informação e apoio e para ajudar em qualquer proteção potencial e outras necessidades e, é claro, promover acesso ao processo de asilo (solicitação de refúgio) para quem talvez precise”, completou.

Mortes aumentam na costa da Espanha

Também na semana passada, a Organização Internacional para as Migrações (OIM) informou ter registrado a entrada por mar na Europa de 113 mil migrantes, desde o início do ano até 19 de dezembro. O número é o menor identificado em cinco anos.

Já o contingente de refugiados e migrantes mortos no oceano, enquanto tentavam aportar na Espanha, aumentou e já chega a 769 fatalidades em 2018. O valor é relativo à rota do Oeste do Mediterrâneo.

“Isso é pouco mais da metade de todas (as mortes) na rota do Mediterrâneo Central, do Norte da África para a Itália, mas o que é notável é o quão rápido esse número aumentou ao logo dos últimos três meses”, afirmou o porta-voz da OIM, Joel Millman.

O representante do organismo internacional disse que é provável que o índice de mortes aumente até o final de 2018.