ONU vai usar ‘big data’ para estimular mercado de tecnologia na América Latina e Caribe

Aula de informática em Antióquia, na Colômbia. Foto: Banco Mundial/Charlotte Kesl

Para impulsionar a produção regional de tecnologias digitais, a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) lançou na segunda-feira (6) um projeto que vai ajudar países a elaborar estatísticas sobre produção, consumo e penetração das novas ferramentas de comunicação e informação. Iniciativa pretende usar análises de quantidades massivas de dados — os “big data” — para orientar políticas de investimento.

“Um dos principais desafios da nossa região é estabelecer um verdadeiro diálogo entre os escritórios nacionais de estatística e os grandes atores do ‘big data’, em sua maioria privados”, ressaltou a secretária-executiva da CEPAL, Alicia Bárcena, durante o lançamento do programa em Santiago.

O anúncio foi feito durante seminário sobre o tema organizado em parceria com o Centro para o Estudo do Desenvolvimento da Sociedade de Informação (CETIC) do Brasil.

Segundo Bárcena, a América Latina e o Caribe registraram avanços no consumo de tecnologia, sobretudo nos gastos com internet, mas o fenômeno não foi acompanhado por um aumento equivalente do uso das novas ferramentas em atividades produtivas.

Com o projeto — chamado “Big Data: grandes dados para a economia digital na América Latina e Caribe” —, a CEPAL espera disponibilizar novas informações sobre o mercado de tecnologia, combinando métodos recentes de avaliação dos ‘big data’ com técnicas tradicionais de mensuração estatística.

O objetivo é orientar a elaboração de políticas públicas e privadas para o setor tecnológico e também em outras áreas, como saúde, educação, emprego, produtividade, segurança e gestão de desastres.

Também presente no seminário, o professor de Gestão e Economia Aplicada do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), Roberto Rigobon, elogiou a liderança da CEPAL e afirmou que o uso dos ‘big data’ exigirá “verdadeiras revoluções nos âmbito educativo e cultural”.

Para o especialista, instituições nacionais de coleta de dados e universidades precisarão se modernizar para participar do processo.

Alexandre Barbosa, do CETIC, acrescentou que “a medição desempenha um papel central na agenda internacional sobre desenvolvimento sustentável”. De acordo com o participante, iniciativas como a da CEPAL ajudam a avançar o debate sobre as ferramentas necessárias para monitorar o cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas (ODS).