ONU vai realizar reuniões ‘históricas’ entre países e candidatos ao cargo de secretário-geral

Candidatos ao cargo mais alto das Nações Unidas participarão de encontros informais inéditos com representantes dos Estados-membros para debater e apresentar suas propostas. Presidente da Assembleia Geral, Mogens Lykketoft, disse trabalhará para que processo seja transparente e inclusivo.

Participação dos Estados-membros poderá ter influência como jamais ocorreu na história dos processos de seleção de um secretário-geral. Foto: WikiCommons / Spiff

Participação dos Estados-membros poderá ter influência como jamais ocorreu na história dos processos de seleção de um secretário-geral. Foto: WikiCommons / Spiff

Entre os dias 12 e 14 de abril, serão realizadas reuniões informais entre os Estados-membros e os candidatos ao cargo de secretário-geral das Nações Unidas. A iniciativa foi anunciada na última sexta-feira (26) pelo presidente da Assembleia Geral, Mogens Lykketoft, que já havia expressado sua intenção de tornar mais inclusivo o processo de escolha do dirigente máximo da ONU.

Cada candidato terá duas horas para dialogar, debater suas estratégias e interagir com representantes dos países. De acordo com a Carta da ONU, o secretário-geral é apontado pela Assembleia Geral, após a recomendação do Conselho de Segurança.

Em dezembro, Lykketoft havia afirmado que “até hoje, o processo de seleção foi bastante reservado e envolvia principalmente – ou apenas – os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança” – China, França, Rússia, Reino Unido e os Estados Unidos.

Até o momento, seis candidatos, entre eles, três mulheres, já foram oficialmente apresentados pelos Estados-membros: Srgian Kerim, da Macedônia; Vesna Pusic, da Croácia, Igor Luksic, de Montenegro; Danilo Turk, da Eslovênia; Irina Bokova, da Bulgária; e Natalia Gherman, da Moldávia.

Na sexta-feira, o presidente da Assembleia considerou que os encontros entre candidatos e Estados serão uma ocasião “histórica” e potencialmente capaz de revolucionar o modo como o secretário-geral é escolhido. Segundo Lykketoft, os diálogos informais serão os mais transparentes e abertos possíveis, dado o considerável interesse da sociedade civil global.

Questionado quanto à possibilidade de um veto do Conselho de Segurança, o dirigente disse que não tinha conhecimento sobre quais seriam os procedimentos finais do organismo. Para o presidente, “há uma oportunidade para que a filiação (de cada Estado-membro à ONU) tenha muito mais influência do que antes”. Lykketoft considerou difícil que o Conselho “apareça mais tarde com um nome diferente (do preferido pela maioria da Assembleia)”.

O presidente afirmou ainda que não existem regulações que preveem rotações dos secretários-gerais segundo critérios regionais, embora pressões por mudanças nesse sentido possam ser esperadas. O grupo de países da porção central da Europa, por exemplo, nunca elegeu um de seus candidatos ao cargo. Outras nações podem defender que seria oportuno apontar uma secretária-geral pela primeira vez.