ONU vai enviar missão com 100 inspetores para supervisionar destruição de armas químicas na Síria

Equipe conjunta das Nações Unidas e da Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ) irá supervisionar destruição e desativação de arsenal químico em programa que terá três etapas.

Inspetores da ONU e da Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ) verificam seus equipamentos em Haia. Foto: OPAQ

Inspetores da ONU e da Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ) verificam seus equipamentos em Haia. Foto: OPAQ

Cerca de 100 especialistas em armas químicas serão alocados, nos próximos meses, em uma missão conjunta para supervisionar a destruição de arsenais de armas químicas da Síria, de acordo com a proposta apresentada pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon.

As áreas de trabalho e a base de apoio serão estabelecidas no Chipre, por motivos de segurança, e a contribuição será inicialmente nas áreas de logística, segurança, cooperação, apoio médico, comunicação e administração.

A missão conjunta com a Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ) tem como objetivo cumprir a última resolução do Conselho de Segurança da ONU sobre a eliminação do material e do equipamento das armas químicas da Síria. A conclusão está prevista para até 30 de junho de 2014 e será chefiada por um coordenador especial civil que será nomeado por Ban Ki-moon em conjunto com o diretor-geral da OPAQ, Ahmet Üzümcü.

O Conselho adotou a resolução após a Síria ter concordado em aderir à Convenção de Armas Químicas, após diversos ataques ocorridos nos últimos meses que mataram centenas de pessoas.

O conflito no país já matou mais de 100 mil pessoas e tirou aproximadamente 6,5 milhões de suas casas desde que manifestantes passaram a reivindicar a deposição do governo do presidente Bashar al-Assad, em março de 2011, dando início ao conflito.

A missão conjunta funcionará em três fases. A primeira terá como foco estabelecer uma presença inicial em Damasco e desenvolver uma capacidade operacional inicial, incluindo atividades de verificação por meio de negociações com o Governo e planejamento de visitas.

Na segunda fase, que acontece até 1º de novembro, a OPAQ deve completar suas inspeções iniciais em toda a produção de armas químicas e instalações de armazenamento e supervisionar a destruição, feita pela Síria, de todo o material e instalações.

A destruição de instalações de armas químicas, estoques e material associado é da responsabilidade do Governo sírio, uma vez que nem a OPAQ nem a ONU tem o mandato de conduzir este tipo de atividade.

Na terceira fase, que acontece nos oito meses de 1° de novembro a 30 de junho de 2014 – vista como a mais difícil e desafiadora por Ban Ki-moon – espera-se que a missão conjunta apoie, monitore e verifique a destruição de um complexo programa de armas químicas.

A operação envolve vários locais espalhados por um país envolvido em conflitos violentos, com aproximadamente mil toneladas de armas do tipo, agentes e precursores que são perigosos para lidar, transportar e destruir.

Dada a complexidade da situação, “é provável que a assistência de outros Estados-membros seja necessária nas áreas da prestação de assessoria técnica e operacional, de suporte e equipamentos, bem como nas áreas de segurança e possivelmente outras áreas, a fim de concluir com êxito a destruição e/ou atividades de remoção dentro do prazo estipulado”, destacou Ban Ki-moon.

Ainda segundo o secretário-geral, os Estados-membros devem oferecer todo o seu apoio ao trabalho da missão, inclusive mediante ajuda financeira e material, bem como assistência técnica e operacional.

Por causa dos riscos potenciais em termos ambientais e de saúde publica, a Organização Mundial da Saúde (OMS) vai oferecer orientação na área.

Uma equipe conjunta de 19 funcionários da OPAQ e 16 funcionários da ONU chegaram a Damasco para iniciar suas atividades no dia 1º de outubro. Desde a sua implantação, o governo sírio apresentou informações complementares como o tipo e a localização das armas químicas no país, armazenamento e produção, entre outras.

No último domingo (6), aconteceu a primeira visita de verificação. Sob a supervisão de especialistas da OPAQ apoiados pela ONU, a Síria começou a destruir e a desativar uma gama de materiais, incluindo ogivas de mísseis, bombas aéreas e equipamentos de mistura e enchimento.

“Parabenizo este passo histórico e estimulo todas as partes a colaborar para garantir que este progresso encorajador seja mantido e de fato acelerado”, disse Ban.