ONU: Só na Síria e no Iraque existem mais de 15 mil terroristas estrangeiros de 80 países

Conselho de Segurança renovou compromisso contra o problema. Ban Ki-moon ressaltou importância de compreender o motivo da prosperidade do terrorismo, “um desafio multidimensional”.

Conselho de Segurança debate a cooperação internacional para combater o terrorismo e o extremismo. Foto: ONU/Devra Berkowitz

Conselho de Segurança debate a cooperação internacional para combater o terrorismo e o extremismo. Foto: ONU/Devra Berkowitz

O Conselho de Segurança da ONU reiterou nesta quarta-feira (19) a sua promessa de combater a ameaça terrorista global, por meio de uma declaração que reafirma o seu compromisso com a preservação da paz internacional e da segurança.

O órgão de quinze membros aprovou por unanimidade o texto, que solicita os Estados-membros que aumentem a cooperação em seus esforços para enfrentar os perigos colocados por combatentes terroristas estrangeiros de todo o mundo, ajudando uns aos outros a lidar com ameaças terroristas e suprimir o trânsito de extremistas violentos entre os países.

De acordo com uma avaliação recente da ONU, o número de terroristas estrangeiros nos conflitos da Síria e do Iraque é de mais de 15 mil de mais de 80 países. Enquanto isso, outros rebeldes já estariam buscando participar de grupos militantes na Somália, Iêmen e outros países da região do Magreb e do Sahel.

A maior parte dos potenciais combatentes procuram grupos terroristas bem conhecidos, como o Estado Islâmico, o Al-Nusra e outras organizações vinculadas à Al-Qaeda que continuam a cometer atrocidades e aterrorizar populações locais.

O Conselho ressaltou a sua preocupação com estes grupos terroristas e com o impacto negativo da sua presença, com a ideologia de extrema violência e com as ações que afetam a região da Síria e do Iraque, gerando um devastador impacto humanitário na população civil.

Aproximadamente 1,9 milhão de pessoas já se deslocaram no Iraque devido à violência e perseguições do Estado Islâmico desde janeiro deste ano.

Segundo o Escritório da ONU para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), quase 50% dos refugiados encontraram abrigo na área do Curdistão do Iraque, onde as temperaturas no inverno ficam abaixo de zero.

A declaração ressalta a necessidade contínua de melhorar a visibilidade e a efetividade do trabalho da ONU em conter a disseminação de ideologias violentas, destacando que “em todas as suas formas de se manifestar, o terrorismo é uma das mais sérias ameaças a paz internacional e à segurança”.

Em seu discurso ao Conselho, o secretário-geral da Organização, Ban Ki-moon, elogiou a “unidade de propósito” para enfrentar uma ameaça que continua a causar “profundo sofrimento” para os milhões que vivem sob o controle de tais grupos.

“A comunidade internacional e a ONU devem assegurar a plena implementação das nossas ferramentas de ação, incluindo as resoluções do Conselho de Segurança e a Estratégia Global da ONU Contra o Terrorismo”, afirmou Ban.

“O extremismo violento é um desafio multidimensional que precisa ser efetivamente resolvido. Nós precisamos continuar pensando nas condições fundamentais que permitem que este extremismo prospere”, concluiu.