ONU retira pessoal não essencial da capital do Sudão do Sul e pede fim da violência

Organização anunciou que está mobilizando recursos de outras missões. Na semana passada, base da ONU foi invadida, deixando pelo menos 22 mortos, incluindo dois membros das forças de paz.

A missão da ONU, a UNMISS, transporta feridos do último ataque de Bor, capital do estado de Jonglei, no Sudão do Sul, para Juba. Foto: UNMISS

Em meio a crescentes tensões e confrontos entre facções militares no Sudão do Sul, a Missão das Nações Unidas no país (UNMISS) anunciou no domingo (22) que começou a realocar o pessoal da capital, Juba, ao mesmo tempo em que o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu que líderes políticos e militares sul-sudaneses deem um fim a todas as hostilidades e ataques dirigidos contra civis.

Em um comunicado emitido pela manhã, a UNMISS anunciou que, como medida de precaução para reduzir a pressão sobre os seus recursos limitados, vai realocar seu pessoal não essencial de Juba para a cidade de Entebbe, em Uganda.

Além disso, no sábado (21), a UNMISS realocou todo o pessoal civis remanescente de seu composto na capital do estado de Jonglei, Bor, para Juba. Ao mesmo tempo, a Missão planeja reforçar sua presença militar em Bor e Pariang para continuar a cumprir o seu mandato de ajudar a proteger os civis sul- sudaneses.

“Não estamos abandonando o Sudão do Sul. Estamos aqui para ficar, e vamos continuar com nossa determinação coletiva de trabalhar com e para o povo do Sudão do Sul”, disse a representante especial para o Sudão do Sul e chefe da UNMISS, Hilde Johnson.

A decisão de transferir alguns funcionários vem três dias depois de uma base da UNMISS em Akobo, no estado de Jonglei, ter sido invadida por cerca de 2 mil assaltantes fortemente armados em um ataque que deixaram cerca de 20 civis da etnia Dinka mortos, bem como dois integrantes das forças de paz da ONU. Outro membro da força da paz foi ferido no incidente.

Depois do ataque, os assaltantes, que se acredita serem da etnia Lour Nuer, fugiram com armas, munições e outros suprimentos.

“Para quem quer nos ameaçar, atacar-nos ou colocar obstáculos em nosso caminho, a nossa mensagem permanece alta e clara: nós não seremos intimidados”, disse Johnson. “As Nações Unidas tomaram esta decisão de transferir o pessoal (…) enquanto a UNMISS continua a prestar assistência e abrigo para mais de 20 mil civis reunidos dentro de seus complexos na capital nacional do Sudão do Sul”, acrescenta o comunicado.

Expressando sua profunda preocupação com a deterioração da situação de segurança, o secretário-geral Ban Ki-moon exigiu que todos os líderes políticos, militares e das milícias deem um fim às hostilidades e acabem com a violência contra os civis.

“Peço ao presidente do Sudão do Sul Salva Kiir e aos líderes políticos da oposição, incluindo o ex-vice-presidente Riek Machar, para vir à mesa para encontrar uma saída política desta crise”, disse o chefe da ONU no início de uma coletiva de imprensa em Manila, nas Filipinas, onde ele concluiu uma visita de três dias a algumas das áreas mais atingidas pelo tufão Haiyan.

Ban Ki-moon disse que a situação no Sudão do Sul tem sido de grande preocupação para a comunidade internacional e que a liderança política e militar do jovem país tem uma responsabilidade para com as pessoas para acabar com a crise e encontrar os meios políticos de lidar com suas diferenças.

Confrontos mortais têm aumentado no país desde o último fim de semana, de acordo com relatos da mídia, seguindo o que o governo do presidente Kiir afirmou ter sido uma tentativa de golpe por soldados leais ao ex-vice-presidente, que foi demitido em julho.

Ele reiterou o seu apelo aos atores políticos do país para “fazer tudo ao seu alcance para garantir que seus seguidores ouçam a mensagem alta e clara de que a violência contínua, étnica ou de qualquer outro tipo, é completamente inaceitável e representa uma ameaça perigosa para o futuro do jovem país”.

O secretário-geral disse que a ONU está fazendo seu melhor para mobilizar, em primeiro lugar, a capacidade de mediação, inclusive por meio de sua decisão de enviar funcionários de alto escalão para Juba.

“E eu entendo que a União Africana também enviou sua equipe de mediação. Os chanceleres dos cinco países da IGAD [Autoridade Intergovernamental para o Desenvolvimento] também estão no terreno, em reunião com ambas as partes – (o governo) do Sudão do Sul e o partido do ex-vice-presidente Machar”, acrescentou.

Quanto aos esforços para proteger os civis vulneráveis, ele disse que a ONU está tentando ativamente a transferência de ativos de outras missões de paz, como da Missão de Estabilização da ONU na República Democrática do Congo (MONUSCO) e de algumas outras áreas.

“E nós também estamos buscando o apoio de outros países-chave (que) podem fornecer os bens necessários. Estamos com pouca capacidade”, disse o secretário-geral.